Mensagem de empreiteiro cita repasse de R$ 5 milhões a Temer

Rodrigo Janot apontou indícios de que o vice-presidente teria recebido a quantia do presidente da OAS José Adelmário Pinheiro

O Estado de S. Paulo

19 de dezembro de 2015 | 14h38

BRASÍLIA - Em meio ao processo do impeachment, o vice-presidente Michel Temer está citado nas manifestações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki, que embasaram as ações de buscas e apreensões da Operação Catilinárias, deflagrada na última terça-feira. A Operação atingiu em cheio a cúpula do PMDB e teve como um dos alvos o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

De acordo com reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao relatar situações de pagamento de suborno a peemedebistas, apontou indícios de que o vice-presidente teria recebido R$ 5 milhões do presidente da OAS, José Adelmário Pinheiro, conhecido como Leo Pinheiro. O empresário foi condenado a 16 anos e 4 meses de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Operação Lava Jato. O documento consta nos autos da Cantilinárias, que corre em segredo de Justiça.

Contas. Em nota, o vice-presidente confirma o recebimento de R$ 5,2 milhões da empreiteira e diz que foram doações ao PMDB devidamente registradas no partido e na prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral. "Houve depósitos na conta do partido e a devida prestação de contas ao Tribunal. Tudo já comprovado por meio de documentos. A simples consulta às contas do PMDB poderia ter dirimido qualquer dúvida que, por acaso, pudesse ser levantada sobre o assunto", escreveu Temer, que também é presidente do PMDB.

Segundo a reportagem, a citação ao pagamento feito a Temer estaria em uma troca de mensagens entre Pinheiro e Cunha. O presidente da Câmara teria reclamado que o pagamento ao vice prejudicou e adiou repasse a outros líderes peemedebistas, que ele chama de "turma". A conversa estaria armazenada no celular de Pinheiro, que foi apreendido no ano passado.

Assim que a Operação Catilinárias foi deflagrada, Temer recebeu para reuniões em seu gabinete na vice-presidência diversos peemedebistas. Entre eles o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, que foi alvo da operação da Polícia Federal na terça-feira. Antecessor de Cunha na presidência da Câmara, Alves foi indicado ministro pela bancada do partido e com o apoio Temer. O ministro ainda não havia ainda aparecido entre os investigados da Lava Jato.

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