Menino brasileiro pode ficar retido mais um ano em Taiwan

O diplomata Paulo Pereira Pinto, diretor do Escritório Comercial do Brasil em Taiwan, disse hoje que a Justiça taiwanesa poderá levar mais de um ano para decidir o futuro do menino brasileiro Iruan Ergui Wu, de 5 anos. Órfão de pai e mãe, ele está há 100 dias na ilha retido pelo tio paterno, Huer Eam Wu, que decidiu criá-lo após a morte do irmão. O menino era criado em Canoas (RS) pela avó materna, Rosa Leocádia Ergui, até sua viagem a Taiwan, em março, para conhecer a família paterna.Nesta quinta-feira, Rosa chega ao Brasil depois de uma tentativa fracassada de negociar em Taiwan o retorno do neto. Durante os cinco dias em que permaneceu na ilha, Rosa e seu cunhado, Adir Ferreira, tiveram dificuldade para ver Iruan e disseram que foram ameaçados de morte por taiwaneses solidários a Huer Eam Wu. Os dois foram autorizados a permanecer apenas por duas horas com o menino, que manteve-se calado durante o tempo inteiro, mas sorriu quando ficou sabendo do título do Grêmio na Copa do Brasil. "Submeteram o menino a um processo de lavagem cerebral. Em três meses conseguiram apagar a memória de cinco anos de vida", disse Pereira Pinto.Como Brasil e Taiwan não mantêm relações diplomáticas, a sentença da Justiça brasileira concedendo a guarda de Iruan à avó foi entregue informalmente ao governo da ilha, que a repassou ao Yuan Judiciário, o máximo tribunal de Taiwan. "Não há relação entre os governos, mas nada impede que os Judiciários dialoguem entre si", afirma o diplomata brasileiro. A legislação taiwanesa também reconhece em tese o direito da avó materna no caso da morte dos pais e dos avós paternos, mas o processo de comparação das leis dos dois países pode levar muito tempo.Para tentar apressar uma decisão judicial, os parentes brasileiros estudam a possibilidade de ingressar com uma ação de reivindicação de tutela com base diretamente na lei de Taiwan, por meio de um advogado local, mas isso custará cerca de US$ 12 mil. Mesmo nesse caso, conforme Pereira Pinto, a decisão final pode levar mais do que um ano em virtude dos recursos que a parte derrotada poderá adotar.De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, não há mais nada que possa ser feito, nem o recurso ao governo do Paraguai (que mantém relações diplomáticas com Taiwan), como chegou a ser cogitado."Queremos que o governo federal e o presidente da República entrem nessa briga, porque até agora não se posicionaram", reclama a tia de Iruan, Patrícia Ergui Teixeira.

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