Meningite matou 18 índios no PA neste ano, acusam caciques

Os caciques da tribo mundurucus em Jacareacanga, no oeste do Pará, denunciam que desde janeiro deste ano 18 indígenas, a maioria crianças, teriam morrido de meningite. Eles acusam suposto descaso da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e a Fundação Esperança, que tratam da saúde indígena no município. O número de mortes poderá aumentar, segundo o vice-prefeito do município, o índio José Xicri, se nenhuma providência for tomada. "Além da Funasa e da Fundação Esperança, que nada fazem para tratar os doentes, a Funai (Fundação Nacional do Índio) também é culpada, porque deixa as coisas como estão", atacou Xicri. Para ele, o caso é de polícia e os responsáveis pelas mortes deveriam ir "parar na cadeia". O cacique explicou que faltam medicamentos nas aldeias para tantos doentes. "Tivemos várias reuniões com esse pessoal do governo, mas não fizeram nada", acusa. O pólo Saicinza, da Funasa no município, é responsável pelo atendimento médico aos mundurucus de doze aldeias onde vivem mais de sete mil indígenas. A situação começou a piorar no começo do ano. As mortes aconteceram principalmente nas aldeias Saicinza, Katõ e Missão Cururu, esta localizada na fronteira com Amazonas. A última morte foi no domingo, de um bebê de cinco meses. Ele teve diarréia, febre e gripe. "Essas são as principais doenças que atingem a comunidade indígena e para as quais não há medicamentos no pólo da Funasa", explicou o cacique. Também não há remédio para tratamento de malária. No ano passado, segundo ele, cinco indígenas morreram da doença por falta de tratamento. Os doentes são obrigados a sair das aldeias e buscar atendimento na sede do município, a 40 km de distância, ou em Itaituba, a 400 km. A viagem, cansativa, os deixa ainda mais debilitados e alguns morrem pelo caminho. O administrador da Funasa em Itaituba, Osimar Barros, confirmou as dezoito mortes, mas lança dúvida sobre as causas. "Pelo que soube, apenas uma foi por meningite. As outras seriam por pneumonia e desnutrição", disse Barros.AuditoriaO procurador da República de Santarém, Felipe Braga, pediu uma auditoria sobre a saúde dos mundurukus em Jacareacanga. Ele quer saber quem são os responsáveis pelo descaso com a saúde dos indígenas. O coordenador da Funasa em Belém, Florivaldo Vieira, nega falta de remédios nas aldeias. Uma equipe segue de Belém na segunda-feira para Jacareacanga para apurar as causas de tantas mortes. O novo presidente da Funai, o paraense Márcio Meira, também foi informado sobre a situação. Ele pediu explicações aos responsáveis pelo órgão em Jacareacanga.

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