Menina cubana vê TV e tenta adaptar-se ao Brasil

A menina cubana Sandra Sablón Aguila, de 11 anos, que viveu os últimos quatro afastada dos pais e do irmão, escolheu a televisão como sua principal atividade nesta primeira semana no Brasil. Sandra assistiu desenhos animados, já tentando se acostumar com a língua que terá de usar daqui para frente.No sábado, a menina chegou de Cuba e teve um reencontro emocionado com os pais Zaida Jova Aguila, Vicente Bezerra Sablón e o irmão brasileiro Daniel, de três anos. Sandra passou mal durante a viagem e teve enjôos durante todo o sábado. "Ela ficou mal o dia todo", comentou a mãe. Os pais, engenheiros e alunos de mestrado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tiraram uma semana de folga para ficar em casa com a filha. "Vamos trabalhar em casa e curtir cada minuto perto dela", disse Zaida.Domingo, a garota, que veio ao Brasil em companhia da avó materna, Erena Aguila, com quem vivia em Cuba, aproveitou para ficar com a família e receber presentes de amigos dos pais, cubanos que estudam na Unicamp e brasileiros. A mãe disse que, ainda esta semana, vai se informar sobre escolas em que a filha possa aprender português. Sandra concluiu a quinta série do ensino fundamental de Cuba. Vicente se mudou para o Brasil há pouco mais de quatro anos. Obteve uma bolsa para estudar pós-graduação na Unicamp. Seis meses depois, também com um bolsa de estudos, Zaida se juntou a ele. Foi quando teve início a longa disputa do casal para trazer a filha ao País.Há três anos, Zaida e Vicente tiveram um filho no Brasil. O nascimento de Daniel lhes garantiu o direito de permanência no País. Mesmo assim, o casal continuou enfrentando a resistência do governo cubano em autorizar a saída de Sandra de Cuba.Há cerca de dois meses a imprensa noticiou o caso, que ganhou repercussão internacional ao ser denunciado à Organização dos Estados Americanos (OEA), no início deste mês, pelo diretor da Junta Patriótica Cubana, Claudio Benedi Beruff. O governo passou então a alegar que Zaida estava em situação irregular no Brasil, porque era funcionária do governo cubano e abandonou a bolsa quando decidiu se fixar no Brasil. Zaida contestou dizendo que a bolsa foi obtida pelo casal na universidade brasileira. "Não havia nenhuma dívida com Cuba nem nada de irregular", garantiu.Segundo informações da Unicamp, 58 cubanos freqüentam seus cursos. A embaixada de Cuba divulgou que as universidade brasileiras abrigam 100 estudantes cubanos cursando especialização.

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