Menina com paralisia cerebral é infectada com HIV

O Hemocentro de Ribeirão Preto divulgou nesta quinta-feira um caso de transfusão de sangue, ocorrida em fevereiro de 2001, em que uma das receptoras, uma menina de 10 anos, com paralisia cerebral, foi contaminada pelo HIV. Além dela, um homem, de mais de 40 anos, foi o outro receptor do sangue, mas morreu pouco depois da transfusão, vítima de aplasia de medula óssea, ou parada de produção sangüínea. O diretor do Hemocentro, Dimas Tadeu Covas, informou que o caso foi atípico e que os receptores não devem ficar desesperados. "É um incidente com freqüência baixa, esperado, e Ribeirão Preto não é o único lugar em que isso ocorre", comentou ele. Covas tem um trabalho que indica que o risco de infecção do HIV na região de Ribeirão Preto é de um caso a cada 300 mil transfusões. A direção do Hemocentro, que faz 120 mil transfusões de sangue por ano, disse que a própria instituição descobriu o caso e procurou os receptores. O Ministério Público Estadual investiga o caso e o doador, que omitiu informações, poderá ser responsabilizado. Segundo a coordenadora médica do Hemocentro, Eugênia Maria Amorim Ubiali, não existe erro e todos os bancos de sangue correm esse risco. Além disso, lembrou que os doadores não correm risco de contrair doenças, mas que os receptores sempre correm algum risco nas transfusões. Ela explicou que são feitos exames nos doadores, em todas as coletas, inclusive nas pessoas que repetem esse procedimento. Em janeiro de 2001, por exemplo, o doador do sangue infectado fez a sua 10ª doação desde 1996, mas como a doença era recente, não foi detectada. Esse período é chamado de "janela sorológica". No caso do HIV, demoraria 22 dias em média para o vírus ser detectado num exame. Para se encurtar a "janela", uma entrevista sigilosa (triagem clínica) é feita, mas o doador precisa revelar se contraiu alguma doença, se usa drogas e até informar o seu comportamento sexual (se é homossexual ou tem parceira fixa). Isso protege tanto o doador quanto o receptor. Quando o doador fez a 11ª doação, em outubro, a sorologia foi positiva para o HIV e o seu sangue foi automaticamente descartado. O Hemocentro, então, levantou os nomes dos receptores da doação anterior e comunicou os órgãos de saúde da cidade e da região. "A mãe soube do caso por nós", diz Eugênia. A menina Iara Carolina Nascimento, de 10 anos, portava o vírus, após a transfusão feita na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas. "Foi a primeira vez que deu um resultado positivo num paciente", disse Eugênia. Segundo ela, por enquanto a criança, que é portadora do vírus HIV, não precisa de tratamento de Aids. Eugênia lembrou que a transfusão sempre tem um risco residual para o receptor e que ela só deve ser feita se necessário, como em função de perda de sangue devido a acidentes, talassemia maior (anemia hereditária, na qual o paciente só vive se fizer transfusão periodicamente), leucemia, hemofilia, entre outros casos.

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