André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mendonça Filho afirma que não há risco de ‘descontinuidade’

Titular da pasta de Educação e Cultura não comenta fusão, mas se diz ‘bom gestor’; Juca Ferreira critica mudança

Julio Maria, O Estado de S.Paulo

12 de maio de 2016 | 23h14

Mendonça Filho, novo ministro da pasta que vai juntar Educação e Cultura, afirma ao Estado que não fará uma gestão de choque. Ao atender o telefone em Brasília, em meio a reuniões para definir seus primeiros passos à frente do novo Ministério da Educação e Cultura, o até a quarta-feira, 11, deputado federal pelo DEM, José Mendonça Bezerra Filho informa que não quer falar sobre suas estratégias na pasta. “Não há risco de descontinuidade, de interrupção nem de censura”, ressalta ele ao ser questionado sobre a junção das duas pastas no governo Temer.

Antes de ter uma pasta própria com um ministério criado por decreto do então presidente José Sarney, em 1985, a cultura estava sob os cuidados do antigo MEC, uma política conjunta adotada de 1953 a 1985. 

Mendonça Filho não fala sobre a fusão, mas sobre ele mesmo coloca: “Eu me considero um bom gestor, consigo tirar projetos do papel. Gosto de chamar parceiros para as decisões mais nobres e em várias áreas. Sou um homem de cabeça aberta”.

Aos 49 anos, o novo ministro tem no currículo atuação ligada à área da educação, como um executivo de negociações usado pelo então governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, de quem foi vice. Chegou a assumir o governo em menos de um ano, entre 2006 e 2007, quando Jarbas se retirou para concorrer ao Senado.

Definido como discreto e de fácil diálogo por profissionais próximos, tem como marca de sua atuação as costuras diplomáticas para a realização do projeto Porto Digital, junto à iniciativa privada, e a ligação a projetos de alfabetização e especialização, como a criação da Universidade Democrática, gratuita aos jovens de escolas públicas. Ele é lembrado também como autor da proposta de emenda para a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Antecessor. O ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, exonerado na manhã de ontem, entende como um retrocesso histórico a junção das duas áreas. No site do MinC, ele deixou suas últimas considerações no cargo: “O MinC foi criado no contexto da redemocratização. Sua criação foi a primeira medida marcante da democracia. Simbolicamente, sua ameaça de acabar veio às vésperas da tentativa de golpe”, disse, na semana da votação do impeachment na Câmara.

“O Brasil tem 58 milhões de pessoas, da educação infantil ao pós-doutorado, para organizar. Não podemos trazer a cultura, com toda a dimensão estratégica que ela tem, para dentro da Educação”, afirma Ferreira, na mesma mensagem do site.

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