Mendonça acusa ex-vice do BB por grampo

O ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, acusou diretamente, na Justiça Federal, o ex-vice-presidente do Banco do Brasil (BB), Ricardo Sérgio de Oliveira, de envolvimento no "grampo" dos telefones do BNDES, em l998. Barros garantiu que o grampo teve por objetivo desestabilizar o então vice-presidente do BNDES, André Pinheiro de Lara Rezende, e seu vice, Pio Borges. Ambos estavam em conflito com o BB por questões ligadas a privatização da Telebrás, que foi a leilão no dia 29 de julho daquele ano. Barros depôs na qualidade de vítima, em carta precatória procedente da Justiça Federal carioca, onde corre processo contra Temilson Antonio Barros Resende e três outros acusados de violação de sigilo telefônico. Ele foi ouvido pelo juiz Toru Yamamoto, da 3ª Vara Federal de São Paulo. Revelou que, em agosto de l998, teve um encontro com Ricardo Sérgio, quando este lhe disse em tom ameaça: "Avisa o André (Lara Rezende) que há gravações de natureza pessoal a respeito dele". Ricardo Sérgio informou, ainda, que as gravações foram feitas pelo serviços reservados do BB. Pelos diálogos que constam de duas fitas gravadas, o ex-ministro acredita que elas foram vendidas por algum beneficiário, que participou ativamente do leilão. O juiz Toru Yamamoto quis saber quem lucraria com o grampo dos telefones. Barros lembrou que foram realizados 12 leilões. O único que teve algum questionamento foi o da Telemar, em torno do financiamento. Esclareceu que para que fossem elegíveis, era necessário que o consórcio fosse integrado por empresas nacionais privadas. Ocorre que, no consórcio Telemar, havia a participação do Banco do Brasil, através de duas seguradoras. O BNDES se recusava a financiar esse consórcio, o que causou atrito com o BB e os empresários privados desse consórcio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.