Mendes liga troca-troca partidário ao mensalão

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, criticou, em palestra na sexta-feira, as constantes trocas de partidos, que em sua avaliação "tinham chegado a um limite que a vista já não alcança". "Basta mencionar uma palavra e todos vão entender: mensalão", emendou o ministro. "Não era troca partidária meramente por conveniência política", prosseguiu durante curso na Escola Judicial da Justiça do Trabalho no Rio Grande do Sul. Contudo, Mendes negou que estivesse menifestando posição sobre o processo, que será julgado no STF. "Não, eu estou dizendo que a prática pode ter chegado até mesmo a um fenômeno de corrupção na vida política, no que diz respeito à fidelidade partidária", ponderou. Ao abordar temas polêmicos que o STF tem em pauta, Mendes acredita que o poder de investigação do Ministério Público começará a ser avaliado. Ele disse considerar o caso do mensalão importante, pois afeta garantias individuais. Mas ele acredita que há poucas sessões antes do recesso do Judiciário para que a questão seja apreciada ainda este ano. "A rigor, precisamos dar uma resposta para o futuro, saber o que o Ministério Público pode ou não pode", afirmou. DENÚNCIAO STF aceitou a denúncia do caso do mensalão em agosto de 2007. São 40 os acusados pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. Na denúncia, Souza afirma que a "estrutura montada por José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoino e Silvio Pereira tinha, entre seus objetivos, angariar ilicitamente o apoio de outros partidos políticos para formar a base de sustentação do governo federal".

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