Mendes foi injusto, diz procurador-geral

Chefe do Supremo tratou Ministério Publico como cúmplice da PF.

Felipe Recondo e Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

03 de julho de 2008 | 00h00

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, reagiu ontem às críticas feitas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, ao Ministério Público em entrevista coletiva na terça-feira. Entre as declarações, Mendes declarou que o Ministério Público era cúmplice da Polícia Federal no vazamento de informações sigilosas para retaliar juízes.Em nota divulgada ontem, sem citar Mendes, o procurador classificou de "injustas, inadequadas e inteiramente improcedentes" as afirmações do ministro, que classificara como atitude de "gângster" o vazamento de dados falsos ou sigilosos. "Qualquer debate destinado ao aprimoramento da atuação do Estado exige das autoridades que dele participam um comportamento sereno e respeitoso às instituições e aos seus membros", afirmou Souza. "Afirmações desatentas à realidade e que revelam apenas opinião estritamente pessoal sobre a sua atuação institucional nos diversos níveis são inaceitáveis."Na entrevista, Mendes, que já foi vítima de vazamento, cobrou do Ministério Público apuração dos casos e a abertura de processos contra os responsáveis. Porém, disse ele, não há punição. "Mesmo a procuradoria delas (representações) não cuida, porque de certa forma se sente um pouco co-autora, cúmplice, conivente com a prática (vazamento) que se realizou", afirmou.HISTÓRICOO presidente do Supremo não reagiu ontem às declarações do procurador-geral. O primeiro desentendimento entre os dois ocorreu em 2007, em meio aos desdobramentos da Operação Navalha, que desbaratou um grupo que fraudava obras. À época, o procurador declarou que a ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, que relatava o inquérito, estava "mais informada" do caso que o ministro do Supremo, que concedeu liminares para libertar os presos. Mendes respondeu, à época: "Algumas pessoas deveriam freqüentar aulas elementares de Direito Constitucional para emitir opinião sobre algumas coisas."

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