Mendes evita comentar sobre planos de sair candidato

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, evitou deixar claro se tem ou não planos de ser candidato a algum cargo político. Questionado durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, na capital paulista, se descartava sair candidato, ele respondeu: "Nem cuido, nem descuido. Não me cabe responder isso ainda". O ministro chegou até a brincar dizendo que viajava muito por ser candidato, ao ter sua agenda de compromissos comparada com a da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada como nome do PT à Presidência em 2010. "É que somos candidatos", disse.

CAROLINA FREITAS, Agencia Estado

24 de março de 2009 | 17h25

Um homem da plateia chegou a gritar que votaria em Mendes para presidente quando os entrevistadores perguntaram ao ministro sobre suas pretensões políticas. Mendes apenas sorriu. Porém, a popularidade do ministro entre os cerca de 200 espectadores da sabatina não foi das mais altas. A fala de Mendes foi interrompida pelo menos cinco vezes por gritos vindos da plateia.

Um homem chegou a se aproximar do palco protestando contra o silêncio do presidente da Corte a respeito do delegado da Polícia Federal (PF) Protógenes Queiroz, coordenador da Operação Satiagraha, e do juiz Fausto De Sanctis, do Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo. "Foi ele que transformou o senhor numa estrela", gritava o manifestante, que interrompeu a entrevista. "O senhor nos deve explicações por ter soltado (Daniel) Dantas", disse ele, antes de deixar o teatro. O sócio-fundador do Banco Opportunity chegou a ser preso duas vezes na Satiagraha. Mendes mandou soltá-lo nas duas ocasiões.

Retirada

Nos minutos finais da sabatina, formou-se um tumulto em um dos acessos ao auditório. Cerca de 20 estudantes tentavam entrar com cartazes e bandeiras para protestar contra o presidente do STF, mas foram impedidos pelos seguranças do ministro. Assim que o evento foi encerrado, com Mendes ainda no palco, ouviram-se gritos de "fascista" e "criminoso". Constrangido, ele cumprimentou alguns poucos convidados e entrou na coxia do palco.

Os seguranças do ministro improvisaram uma saída pelo mezanino do teatro, para evitar a manifestação e a imprensa. Com um megafone, bandeiras da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e apetrechos do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), os jovens pediam cassação para Mendes, prisão para Dantas e "medalha" para Protógenes.

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