Mendes diz que 'colocou ordem' na PF para evitar 'pirotecnia'

'Parece que se desenhava um modelo no qual a polícia daria o tom das coisas', disse o presidente do STF

Talita Figueiredo, de O Estado de S. Paulo,

27 de março de 2009 | 19h40

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, disse nesta sexta-feira, 27, que o tribunal "colocou ordem" nas operações da Polícia Federal para impedir que seja feita "pirotecnia". "Eu acho que o Brasil deu um salto significativo a partir do momento que o Supremo tomou consciência de que havia uma sensacionalização de um modelo anormal no Brasil", afirmou o ministro, que visitou o Fórum Regional de Jacarepaguá para conhecer um sistema do Tribunal de Justiça do Rio que visa melhorar o atendimento da população.

 

"Parece que se desenhava um modelo no qual a polícia daria o tom das coisas. A polícia determinava, combinava com os juízes e promotores e atuava fazendo um cenário, às vezes, de terror. A resposta veio pelo STF (com decisões como), a súmula (que regulamenta o uso) das algemas e o direito ao acesso ao inquérito. A partir daí nós colocamos ordem nas coisas".

 

Mendes não quis comentar as declarações do presidente Lula sobre o assunto, dadas na quarta-feira, um dia após a PF ter deflagrado a Operação Castelo de Areia (que prendeu quatro diretores da empreiteira Camargo Corrêa, supostamente envolvidos com doações ilegais para partidos políticos). Lula pediu discrição da corporação e disse que quem deve "aparecer na televisão" para falar sobre as operações são "os políticos". Mas o ministro afirmou achar que "certamente, ele estava se referindo aos membros típicos do poder Judiciário, e não aos chefes de poder, àqueles que têm responsabilidade política."

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