Mendes diz que acertou ao criticar PF e não fugirá de polêmicas

Presidente do STF diz que apontou o perigo do 'Estado policial' e atacou a ajuda da Abin à PF na Satigraha

Agência Brasil,

19 de dezembro de 2008 | 15h33

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, avaliou nesta sexta-feira, 19, em entrevista coletiva que suas críticas recorrentes à atuação da Polícia Federal, sobretudo à espetacularização das prisões, resultaram na melhoria do trabalho da instituição. As críticas de Mendes foram feitas após as prisões da Operação Satiagraha, cujos alvos foram o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.  "Eu não errei. O que eu apontava em relação a Estado policial era muito mais grave do que imaginara. Misturar Polícia Federal com Abin (Agência Brasileira de Inteligência) por exemplo, não se imaginava total descontrole que representa uma ameaça à cidadania. Estava-se criando um super sistema de forma anárquica. Tenho impressão que isso (espetacularização das ações da PF) mudou. E eu não recuso os méritos", afirmou. Agentes da Abin ajudaram a PF nas investigações da Satiagraha. Na entrevista, ele fez um balanço das atividades do Supremo em 2008.  Gilmar Mendes disse que fez advertências pertinentes na condição de presidente do Tribunal, sobre questões preocupantes para o Estado de Direito, como a necessidade da nova lei de abuso de autoridades, à qual "o governo se curvou" ao elaborar proposta nesse sentido. Ao reiterar que não pretende mudar sua postura crítica em relação aos limites e atribuições institucionais nos Poderes, Mendes lembrou que o STF por definição deve ser antimajoritário. "Muitas vezes a Corte Suprema tem que contrariar expectativas de jornalistas, pessoas e congressistas, porque pode declarar a inconstitucionalidade de leis aprovadas até por unanimidade. Quem quiser obter aplausos e popularidades não pode integrar Corte constitucional. Há outros caminhos", argumentou Mendes. "Não se tem medo de polêmica nem de crítica", acrescentou. O presidente do Supremo também ironizou a existência de numerosos blogs e comunidades na internet dedicadas a protestos contra a sua atuação no Tribunal. "Sabe-se lá se essas pessoas existem mesmo. Chegaram a chamar pessoas para um protesto por causa da minha ida à TV Cultura (esta semana, no programa Roda Viva). Esses protestadores não conseguem encher uma kombi. Temos gente incomodada com decisões do Tribunal querendo criar esse tipo de movimento", assinalou.  Gilmar Mendes atribuiu à própria atuação as razões para a redução de operações tidas como espetaculares e midiáticas da Polícia Federal. "Eu tenho a impressão de que isso mudou e eu não recuso os méritos", afirmou. Desde que assumiu o mandato, Mendes fez críticas à exposição de presos à imprensa, ao uso de algemas indiscriminado, à suposta banalização do uso de grampos telefônicos e até ao uso pelo Judiciário dos nomes dados pela Polícia Federal às suas operações. Por conta desse discurso, recebeu críticas, inclusive no meio Jurídico, de que fala demais. Texto atualizado às 18h20 (Com Felipe Recondo, de O Estado de S.Paulo)

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