Mendes defende bloqueio de bens de investigados no DF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, defendeu hoje a indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos na Operação ''Caixa de Pandora'', da Polícia Federal, que investiga o "Mensalão do Distrito Federal". Segundo Mendes, o "Mensalão do DF" ainda está na esfera policial, mas quando chegar à esfera jurídica terá o acompanhamento do Ministério Público Federal, que poderá oferecer denúncias contras os acusados. Para o ministro, os envolvidos terão tempo de se defender, mas enquanto isso poderão ter os bens colocados em indisponibilidade pela Justiça "até que seja separado o joio do trigo".

RICARDO RODRIGUES, Agencia Estado

01 de dezembro de 2009 | 19h47

"Trata-se de um caso gravíssimo, em que se exige reflexão e ação imediata de todos os setores responsáveis. Mas o Judiciário tem feito sua parte. O STF e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) podem dar celeridade aos processos com a convocação de juízes para atuarem como juízes instrutores, por exemplo", afirmou. As declarações de Mendes foram feitas durante entrevista coletiva em Maceió, quando questionado sobre o esquema de corrupção envolvendo autoridades do Executivo e Judiciário do Distrito Federal.

No inquérito da operação ''Caixa de Pandora'', da Polícia Federal, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), e seu vice, Paulo Octávio (DEM), são acusados de envolvimento em um esquema de pagamento de propina a deputados distritais e aliados. As propinas eram pagas por empresas que prestam serviço ao governo do DF. Arruda é apontado como o mentor do esquema, desbaratado por meio de gravações que mostram o próprio governador recebendo um maço de dinheiro, quando ainda era candidato ao governo do DF, nas eleições de 2006.

Durante a coletiva, o ministro disse que as investigações se revelam cada vez mais estarrecedoras. "Não se trata de algo incólume. O processo segue o rito normal. Muitas dessas pessoas, por exemplo, terão seus bens declarados indisponíveis", emendou Gilmar Mendes, mostrando-se preocupado com a imagem do poder público diante de escândalos como esse.

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