Mendes apoia sessões extras no julgamento do mensalão

Ministro do STF afirmou que apoiará medida caso o presidente da corte ache necessário; mudança garantiria voto de Cezar Peluso

Daiene Cardoso, da Agência Estado

06 de agosto de 2012 | 10h26

SÃO PAULO - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse nesta segunda-feira, 6, que apoiará o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, caso ele decida pela realização de sessões extras para cumprir o cronograma do julgamento do processo do mensalão. "Esta é uma questão que o presidente terá de avaliar", afirmou. "Se houver necessidade, ele certamente fará a convocação e nós vamos apoiá-lo", disse o ministro, após participar do seminário "Guerra Fiscal - os Caminhos do Acordo", realizado na capital paulista.

Parte da argumentação para defender mais sessões defende que a medida garantiria a participação do colega Cezar Peluso, que se aposenta compulsoriamente no dia 3, quando completará 70 anos. Ao Estado, o ministro Marco Aurélio Mello disse reprovar a ideia. "Não podemos dirigir o quórum, muito menos partindo da presunção de que ele (Peluso) votando vai absolver ou condenar", afirmou.

O ministro Gilmar Mendes preferiu não entrar na polêmica envolvendo o argumento da necessidade ou não de prova cabal contra os réus do mensalão, principal ponto de debate entre os advogados de defesa após a sustentação oral do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. "Vamos ouvir os advogados", afirmou. "Não vou emitir juízo sobre o processo."

Marco Aurélio Mello rejeita a tese de que só um ato de ofício levaria à condenação de um réu por corrupção. "O que vão querer em termos de prova (de corrupção)? Uma carta? Uma confissão espontânea?", questionou.

Também nesta segunda começa a fase de defesa no julgamento do mensalão no Supremo. O primeiro a falar será o advogado José Luis Oliveira Lima, defensor de José Dirceu. Lima vem afirmando que Gurgel não apresentou provas contra seu cliente, apenas "ilações".

Mendes disse ainda que o episódio envolvendo a suposta pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para adiar o julgamento foi superado. "Foi tudo superado. O que tinha de ser falado já foi falado", afirmou.

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