Memórias de um embaixador bem-humorado

Com 44 anos de estrada, Guilherme Leite Ribeiro conta em livro boas histórias do alegre circo dos diplomatas

Gabriel Manzano Filho, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

Diplomacia, dizem os profissionais, é a arte de mandar alguém para o inferno de tal forma que o sujeito não vê a hora de começar a viagem. Mas os críticos, muitos por estarem de fora, vêem nela apenas um gasto inútil de dinheiro público num dolce far niente de viagens principescas, banquetes chiques e tempo de sobra para intriga e conversa fiada. Entre uma definição e outra, o embaixador Guilherme Leite Ribeiro ficou com ambas - mas, para sorte dos leitores, deu muito mais espaço à segunda no seu divertido livro de memórias Os Bastidores da Diplomacia - O Bife de Zinco e outras histórias (Editora Nova Fronteira,414 páginas, R$ 59). O autor passou bons anos juntando histórias, vistas e ouvidas. Consultou cerca de 400 livros - alguns sérios e outros nem tanto -, e saiu-se com um misto de "manual de introdução à carreira" cruzado com um repositório do tipo "os mais engraçados episódios dos meus 44 anos de profissão". Nele se pode saber, por exemplo, por que inventaram os coquetéis: "É para agradar a gente que não vale a pena convidar para jantar." E que a ONU é como é porque está em Nova York. "Se funcionasse em Cabul, no Afeganistão, as reuniões seriam muito mais rápidas e as delegações bem menores." Inteligente, despretensioso e de boa memória, tendo vivido em lugares como Lisboa, Milão, Roma, Santiago do Chile, Nova York e Cidade do México, Leite Ribeiro antecipa aos que sonham com a carreira um quadro real do que os espera e traz engraçadas histórias de presidentes, chanceleres e diplomatas de primeiro nível, como também os de último. É bom advertir: ele escreve, às vezes, com uma falta de cerimônia típica das conversas de madrugada, depois do oitavo uísque, quando algumas das senhoras já foram dormir. Abaixo, algumas das suas melhores histórias.

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