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Memorial da Democracia pode receber recursos da Lei Rouanet

Museu é destinado ao terreno na cracolândia cedido pelo prefeito Gilberto Kassab em abril

Ricardo Chapola, do estadão.com.br,

26 de junho de 2012 | 21h02

SÃO PAULO - A direção do Instituto Lula recuou nesta terça-feira, 26, de que vai manter o financiamento do Memorial da Democracia somente com os recursos vindos da iniciativa privada. Responsável pelo museu, o ex-ministro Paulo Vanucchi não descartou uma eventual captação pela Lei Rouanet, via pela qual o governo investe em cultura através de incentivos fiscais. Na fase embrionária do projeto, dirigentes chegaram a afirmar que não haveria uso de verba pública. O museu é destinado ao terreno na cracolândia cedido pelo prefeito Gilberto Kassab, aliado de José Serra, ao Instituto Lula em abril. A medida desagradou membros da base governista na Câmara e gerou alguns protestos por suposta promoção de Lula em ano eleitoral.

"Pode ser que mais para frente, depois de uma discussão, lancemos mão da lei Rouanet. Mas para construir o instituto como foi falado inicialmente, a ideia é buscar recurso junto com empresas privadas, que vão fazer doação se elas forem convencidas de que é importante construir esse memorial à democracia", disse Vanucchi após uma reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir os futuros do museu.

Da parte do governo, a ministra Ana de Holanda afirmou que já se dispôs à direção do Instituto Lula a dar todas as possibilidades institucionais possíveis, embora ainda não tenha sido procurada para tratar sobre o assunto. "Eu tive uma reunião com o Paulo Vanucci e eu abri todas as possibilidades institucionais possíveis. Estamos abertos, nada impede", ressaltou. Ana de Holanda disse que basta ao instituto apresentar uma proponente, que será avaliada "assim como qualquer outro projeto".

Participaram do encontro o ex-presidente Lula e a mulher, Marisa Letícia, o candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, os ministros Gilberto Carvalho (da Secretaria-Geral da Presidência), Ana de Holanda (da Cultura) e Franklin Martins (das Comunicações), intelectuais, políticos e representantes de movimentos sociais vinculados ao PT.

O candidato do PT à Prefeitura, Fernando Haddad, disse que não há previsões de incentivos de sua parte, caso seja eleito, para tirar do papel o Museu da Democracia.

"Não há nada previsto para esta direção. Acho que a Prefeitura já fez o seu papel e fez bem", declarou Haddad, elogiando a postura do prefeito.

A Câmara aprovou a cessão em votação com 37 votos a favor, 8 contra e uma abstenção. O Instituto Lula terá o direito de usufruir da área de 4,3 mil m², avaliada em R$ 20 mi, por 99 anos.

 

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