Rerprodução
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Memes são a nova charge política

Sapato de Serra, Lula com Maluf e frase de Russomanno viram piadas na internet

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h09

Bastou um sapato um pouquinho mais frouxo para o candidato à Prefeitura de São Paulo, José Serra (PSDB), virar meme na internet - termo usado para se referir a um conceito ou imagem que se espalha rapidamente no mundo virtual. Na sexta-feira, assim que as primeiras fotos que mostravam o tucano perdendo um dos sapatos ao cobrar um pênalti caíram na rede, um incontável número de montagens tomou conta da internet.

Os memes costumam surgir de um fato inusitado ou de uma situação engraçada que se espalha pela internet e começa a ganhar variadas versões. Em época de eleições, os candidatos viram alvos perfeitos dessas paródias.

Na semana passada, o candidato do PRB, Celso Russomanno, passou por uma situação parecida. Após dar uma entrevista ao SPTV, da TV Globo, e pedir ao jornalista Cesar Tralli para que conversassem sobre propostas para a cidade e não sobre temas religiosos, a frase "Vamos falar sobre São Paulo?" repetida seguidamente por Russomanno logo foi reproduzida na internet. Nas redes sociais, ganhou até uma página no Facebook, com montagens de situações onde a sentença poderia ser usada.

Os internautas também não perdoaram a foto em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aperta a mão do deputado Paulo Maluf (PP), ao selar aliança para a campanha do petista Fernando Haddad. A montagem na qual Maluf foi substituído pelo vilão Darth Vader, da série Star Wars, foi a mais reproduzida.

Especialistas ouvidos pelo Estado dizem, no entanto, que o surgimento desses "memes políticos" não significa que as pessoas estejam mais interessadas em discutir política. "Isso aconteceria se elas estivessem debatendo propostas dos candidatos. O meme surge só para divertir", diz o consultor em marketing político Carlos Manhanelli.

Rafael Sbarai, pesquisador de mídias digitais, concorda. Para ele, o fenômeno se explica pela tecnologia, não pela política. "Temos hoje mais pessoas conectadas, mais pessoas passando mais tempo nas redes sociais, especialmente no Facebook."

O especialista em marketing político digital Gabriel Rossi recomenda: quando algum candidato for alvo de um meme, desde que ele não seja ofensivo, as campanhas têm de encarar o fato com bom humor. Ele cita como exemplo a postura da equipe de Serra, que explorou o tema tanto em sua página oficial como no Facebook, onde reuniu em uma galeria de fotos as melhores montagens do episódio do sapato voador.

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