Mello diz que Paim não merece punição

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, afirmou hoje que não é possível ver como "umaagressão à Lei Maior" a atitude do deputado Paulo Paim (PT-RS) de rasgar páginas da Constituição e lançá-la contra um colega durante sessão em que a Câmara tentou pela primeira vez, na terça-feira, votar o projeto que modifica a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e demais regras da legislação trabalhista. Em rápida entrevista no Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio disse: "Creio que ele (Paim) quis simbolizar a irresignação quanto ao trato da matéria - a reforma da CLT. Não podemosver no ato uma agressão à Lei Maior da República. Ele procedeu a um ato extremo visando preservá-la." Questionado pelos repórteres, o presidente do STF declarou ainda: " Sob o ângulo jurídico-legal, ele (Paim) não merece punição. Sob o ângulo político, vai depender de seus pares." Durante as sessões do STF, quando entende que os colegas ministros não estão sendo fiéis à Constituição, Marco Aurélio costuma dizer: "Estamos aqui rasgando o livrinho!" Em relação a isso, um repórter lhe perguntou se já teve vontade de rasgar a Carta Magna. "Jamais fiquei com vontade de rasgar a Constituição, porque talvez não tivesse dinheiro para comprar outra", respondeu o ministro. E concluiu: "Ele quis, com o gesto extremo, buscar, na ótica dele, apreservação da Constituição. Mas... daqui a pouco vão falar que eu sou advogado de defesa dele".

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