Melhoria de renda parou no meio da década de 90

A melhoria da renda do brasileiro foi interrompida no meio da década de 90 e não houve recuperação até o ano passado. O rendimento individual do trabalhador brasileiro, assim como a renda total das famílias, vem caindo ano a ano desde 1996. Em cinco anos, houve perda real de 10,3% na remuneração média da população ocupada, passando de R$ 662 mensais por trabalhador para R$ 595. Ao mesmo tempo, o alto índice de concentração de renda apresenta uma queda tão pequena, que o IBGE considera "estável" o índide de Gini, que mede a desigualdade. Os 10% de trabalhadores com menor remuneração têm rendimento médio 45 vezes menor do que os dez por cento com salários mais altos."A distribuição de renda se move muito lentamente?, diz o presidente do IBGE, Sérgio Besserman. ?No Brasil, houve uma pequena melhora, nesta década e meia de democracia. E é bom lembrar que melhorou em anos de baixo crescimento da economia."A série histórica do valor do rendimento oriundo do trabalho indica que em 1981 a remuneração média era equivalente a R$ 521, caindo para R$ 462 em 1992 e crescendo para R$ 595 em 2001. Ou seja, em 20 anos houve um ganho real de R$ 74, ou 14%. Na comparação com os últimos dez anos, o ganho foi de R$ 133, ou 28%.Abaixo de R$ 1 milPela primeira vez desde 1995, o total de rendimento das famílias brasileiras (de qualquer origem, incluindo trabalho, aposentadorias e pensões) ficou abaixo de R$ 1 mil. O valor registrado pela PNAD, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, em 2001 foi de R$ 993 de renda familiar, representando uma queda de R$ 73 em relação a 1995 e, por outro lado, um aumento de R$ 224 em comparação com o início da década.Dois índices de Gini foram medidos pela PNAD. O primeiro é relativo à renda individual oriunda apenas do trabalho. O segundo inclui qualquer rendimento de pessoas com 10 anos ou mais de idade. Em ambos, há uma ligeira melhora em relação a 1992. Em comparação com 1981, no entanto, houve uma pequena piora em relação à remuneração dos trabalhadores. O índice de Gini vai de zero (perfeita igualdade) a 1 (concentração absoluta de renda). O índice em relação a todos os rendimentos em 2001 foi de 0,572. Em 1992, era de 0,575 e em 1981, de 0,583. Em relação à renda do trabalho, o índice do ano passado foi de 0,566. O de 1992 foi 0,571 e o de 1981 foi o menor dos últimos vinte anos: 0,564.Os técnicos do IBGE dividiram o universo de pessoas ocupadas em dez grupos. O grupo que representa os dez por cento com menor remuneração tem rendimento médio mensal de R$ 61. Já os dez por cento mais bem-remunerados recebem em média R$ 2.745. Há ainda uma parcela de apenas um por cento com renda média de R$ 7.923. "O movimento de queda da concentração de renda é muito pequena, por isso consideramos que está estável. O ponto máximo da concentração de renda do trabalho foi em 1993 e o ponto mínimo foi em 2001", diz a técnica do Departamento de Trabalho e Rendimento do IBGE Vandeli Guerra. 13% ganha até um salário mínimoA avaliação da renda familiar indica que 13% das famílias brasileiras têm rendimento mensal de até um salário mínimo, enquanto as que ganham mais de 20 salários mínimos representam 4,5% do total. A maior faixa é a de famílias que têm rendimento de um a dois salários mínimos, que representam 19,2% de todas as famílias brasileiras. As diferenças regionais mais uma vez foram constatadas na Pnad. No Nordeste, chega a 25% o índice de famílias com renda mensal de até um salário mínimo. No Sul, o porcentual cai para 8%. No Sudeste, é de 8,1%.Em relação ao rendimento, a diferença entre homens e mulheres que trabalham ainda é muito grande. Em 2001, a renda média das trabalhadoras era de R$ 469 e a dos homens, R$ 674. A diferença já foi maior no início da década. Em 1992, as mulheres ocupadas recebiam o equivalente a 61,6% da remuneração dos homens. Ano passado, esse porcentual já era de 69,6%. As diferenças também são grandes na comparação do rendimento por tipo de ocupação. A renda oriunda apenas do trabalho principal dos empregadores em 2001 era de R$ 1.849. Dos empregados era de R$ 566. Dos que trabalham por conta própria, de R$ 487 e dos empregados domésticos, de apenas R$ 192.O que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2001

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