Melhores do Provão tomam café da manhã com ministro

Filho de marinheiro e costureira, Silas Silva Santos tirou nota máxima na área de Direito, no Exame Nacional de Cursos (o Provão), superando graduandos de tradicionais universidades, como a de São Paulo (USP) e a de Brasília(UnB). Ele foi um dos 22 melhores colocados no Provão que receberão bolsa de mestrado ou doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O grupo tomou hoje café da manhã com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.Santos começou a trabalhar aos 15 anos, hoje já é escrevente técnico do Judiciário e pretende ser juiz. Ele considera a sua performance no exame como uma prova de que uma criança pobre pode mudar a história da família por meio do estudo, apesar de todas as dificuldades. A começar por uma formação deficiente até o ensino médio e depois por ter de desdobrar-se para pagar uma faculdade privada. Outro exemplo entre os graduandos de nota máxima é Rosa Maria Lopes, que cursou pedagogia na Faculdade Mozarteum de São Paulo e empatou com Patrícia Moura Pinho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Rosa formou-se aos 38 anos, é diretora de harmonia da escola de samba paulista Gaviões da Fiel e vice-diretora de uma escola pública na periferia de São Paulo. Ela começou a estudar na "faculdade de preço acessível" depois de terminar tratamento para hepatite C que consumia pelo menos R$ 400,00 mensais do seu salário. "Não esperava ser a melhor, fiquei doida", contou Rosa, que já é avó e trouxe uma camiseta da Gavião para o ministro a quem chamou de corinthiano. Confundiu-se, Paulo Renato é gremista.O ministro elogiou graduandos como Santos e Rosa, que por esforço próprio atingiram nível de excelência superior aos dos alunos das grandes universidades. Para o ministro, o fato de entre os campeões do provão estarem egressos de faculdades do interior relativamente pequenas ao lado de grandes instituições é um sinal de que o provão valoriza o conjunto de alunos.O provão examinou 20 áreas no ano passado, mas houve dois empates de nota máxima que variou numa escala de 76,3 a 100 e, por isso, 22 receberão bolsa para continuar os estudos (6 são de faculdade particulares, 10 são de públicas e 6 de estaduais). Por coincidência, dois colegas de medicina veterinária da Unesp de Botucatu tiraram os mesmos 82,3 pontos. "Foi a mesma pontuação, mas não houve cola, checamos as provas e os erros eram diferentes", comentou o ministro. Evandro Sartorelli pretende continuar em Botucatu estudando reprodução animal. Patrícia dos Santos Carneiro já está na Universidade de São Paulo se especializando em cirurgia. Foi Evandro quem comunicou o empate à Patrícia. "É muito difícil obter a mesma nota", divertem-se. Ambos reclamam do baixo valor da bolsa da Capes. Quem cursar mestrado receberá R$ 725,00 e o doutorado sobe para R$ 1.100,00. Os beneficiados pelo bolsa não poderão trabalhar, mas dedicar-se exclusivamente aos estudos. Segundo o MEC, 15 dos 22 nota máxima pretendem imediatamente fazer pós-graduação. A bolsa da Capes estará disponível aos campeões durante dois anos.

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