Meirelles volta a se defender de acusações

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, voltou a se defender, hoje, de novas acusações contra ele. Desta vez, em resposta à reportagem publicada na revista Veja, na internet, de que Meirelles teria remetido, em 2002, US$ 50.677,12 de uma conta pessoal no banco Goldman Sachs, nos Estados Unidos, para conta corrente de doleiros que estão sendo investigados por lavagem de dinheiro. Além disso, Meirelles não teria registrado a existência dessa conta corrente na sua declaração de imposto de renda, em 2003. Em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, Meirelles disse que não teve nenhuma relação com o doleiro, que enquanto morou nos Estados Unidos e foi presidente de um grande banco teve a remuneração de acordo com os padrões de um executivo americano, e que nos Estados Unidos o recebedor de um pagamento costuma indicar a conta na qual o dinheiro deve ser depositado. "Quem está fazendo a transferência não pode saber a conta especificamente que vai receber, se ela pertence a uma pessoa que paga seus impostos ou se tem uma ligação ou não com doleiro", afirmou Meirelles. "Esses recursos foram ganhos honestamente, com trabalho duro nos Estados Unidos, pagos todos os impostos, ao contrário do que se vê pela televisão de recursos que saem do País de origem desconhecida", acrescentou o presidente do BC sem citar nomes. "Eu pago todos os meus impostos. Tudo o que eu ganhei foi declarado no imposto de renda americano, quando eu morava lá, e declarado no imposto brasileiro, depois que eu vim (para o Brasil)", garantiu. Indignação Meirelles disse que não pensa em renunciar ao cargo, por conta das acusações. "Eu não penso em renunciar. Eu fico indignado, em primeiro lugar, porque está se violando um sigilo bancário", disse. "Em qualquer país do mundo, seja um presidente de banco central, seja um cidadão comum, seja um empresário, um homem ou uma mulher pública, as informações fiscais são tratadas pelos auditores da Receita Federal, de forma sigilosa e técnica. Algumas pessoas estão cometendo crime de violação de sigilo fiscal, estão pegando informações confidenciais e jogando informações de forma distorcida", disse. "É importante que fique claro que isso não é um processo ético, essa idéia de ficar vazando informação confidencial. Isso é ilegal, é um crime", ressaltou Meirelles. "Está na hora de no Brasil nós começarmos a respeitar as pessoas, respeitar quem sai do exterior ou do interior, mas que é um homem ou uma mulher honrados, que ganharam dinheiro honestamente, que declararam e pagaram imposto de renda, que vão servir ao País, colocar o seu conhecimento em benefício do País, que essa pessoa precisa ter a sua privacidade respeitada. Se alguém tiver uma dúvida sobre a declaração de imposto de renda de alguém, que escreva para a Receita Federal". Respeito ao Banco Central O presidente do BC disse que em respeito ao Banco Central, ao governo e ao povo brasileiro ele tem dado esclarecimentos sobre as denúncias que estão sendo feitas contra ele. "O que não sou obrigado a dar, porque são informações sigilosas e é crime divulgar", afirmou. "Com a maior boa vontade eu estou explicando. Eu acho que o povo brasileiro não entende, eu sou um dos poucos brasileiros que foi para o exterior, teve sucesso no exterior, voltou para o Brasil com recursos para ajudar o povo brasileiro, isso não é comum", afirmou. "Vai ter uma hora que vamos ter que parar e dizer o seguinte: daqui para a frente quem tiver dúvida sobre alguma questão fiscal, do senhor Meirelles ou de qualquer outra pessoa no País, que encaminhe a consulta ou denúncia à Receita Federal. E vamos discutir o que deve um presidente do Banco Central discutir. A política do BC, a sua conduta como pessoa pública e o mais importante: o fato de que o Brasil está crescendo, como resultado de uma política bem sucedida, na economia e no Banco Central". Apoio de Lula Henrique Meirelles disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem lhe manifestado apoio, mesmo depois das últimas denúncias divulgadas pela Veja on-line. "Sim, o presidente da República, em todas as nossas conversas, tem manifestado não só o apoio, não só o suporte, mas tem manifestado indignação com quem fica violando informações sigilosas, distorcendo informações e confundindo a opinião pública", disse. Além do presidente, Meirelles disse que tem recebido o apoio de ministros e principalmente do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ao ser perguntado se saberia identificar a procedência dessas acusações, Meirelles disse que cabe à Justiça investigar. "Infelizmente não tenho possibilidade de saber quem está cometendo crime de divulgação de informações confidenciais. Compete à Justiça, às autoridades, fazer uma investigação e descobrir de onde procede esse continuado vazamento de informações com finalidades que não se sabe quais são", disse.

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