Meirelles: verdadeiras decisões são tomadas na política

Em discurso feito pouco antes de formalizar sua filiação ao PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ressaltou a importância da atuação política no Brasil. "No âmbito político é que são tomadas as verdadeiras decisões do País", disse ele, em clima de comício, em um palanque improvisado, colocado na garagem de uma casa que serve como diretório do partido em Goiás.

GOIÂNIA, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 14h06

O discurso improvisado, que durou exatos 10 minutos, tratou da fundação do PMDB, da criação de empregos no País e de decisões econômicas. "O que fez fundar o PMDB foi a visão de homens e mulheres que se organizaram de forma política", disse. "Não se trata de um partido de um projeto, mas de um grupo, de milhões de pessoas que acreditam num projeto e esse é exatamente num exemplo de democracia", afirmou.

Na avaliação do presidente do Banco Central, a prática política é importante e deveria ser mais frequente entre os cidadãos brasileiros. "Ontem, me disseram que os que ficam de fora da política ou que falam mal da política são e serão governados por políticos", ressaltou. "Minha chegada é para somar. Não tenho projetos pessoais. Meu projeto é continuar no Banco Central", garantiu.

Política de resultados

Em seguida, Meirelles comentou sobre a passagem do Brasil pela crise e destacou a geração de empregos no País nos últimos anos, em especial, no mês de agosto, quando, segundo ele, foram geradas 242 mil novas vagas. "Isso mostra a capacidade do País de crescer", argumentou.

Para ele, no entanto, a reação do mercado de trabalho, mesmo após uma forte turbulência econômica internacional, não é resultado de "magia". "É, sim, resultado de decisões de coragem", disse, arrancando palmas e assobios dos poucos populares que conseguiram entrar na garagem da sede do PMDB, totalmente tomada pela imprensa, assessores e políticos locais.

O presidente do BC disse também que, ao ter aceitado o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar a autoridade monetária, estava trabalhando pelo País. "E trabalhando pelo País, estou trabalhando por Goiás", disse ele, ressaltando que uma das consequências desse trabalho acaba por ser o desenvolvimento do Estado, com o crescimento da agricultura e geração de empregos. "Sou um homem que vivo ancorado no presente", afirmou, acrescentando que também não deixa de olhar para o passado, mas que tem como sua característica a "visão do futuro".

Durante o discurso, Meirelles voltou a repetir que qualquer decisão sobre uma possível candidatura apenas será tomada em março do próximo ano. "Meu projeto aqui hoje é simplesmente me tornar mais um membro do PMDB", minimizou.

Ao sair do diretório do PMDB até o ônibus que o levaria para a casa, além de muitos fogos de artifício, também pôde ser ouvido o Tema da Vitória, trilha sonora que marcou as vitórias do corredor de Fórmula 1, Ayrton Senna.

Dobradinha

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que a filiação do presidente do Banco Central ao PMDB "é um direito dele como cidadão".

A ministra, no entanto, evitou responder se essa filiação poderia representar no futuro uma dobradinha com ela, na chapa para a sucessão presidencial na condição de vice.

"O presidente do Banco Central, nosso querido Henrique Meirelles, tem o direito, como cidadão, de se filiar a um partido e, eventualmente, se achar que deve, concorrer a uma eleição. Mas não tenho nenhuma informação além dessa", disse a ministra, depois de participar da 3ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca.

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