Ed Ferreira|Estadão
Ed Ferreira|Estadão

Meirelles só dirá ‘sim’ se carta branca incluir bancos e ministérios

Brasília - Consultado sobre a possibilidade de ocupar o Ministério da Fazenda, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles exigiu uma espécie de “porteira fechada” para aceitar a missão. A condição apresentada por ele para assumir o posto, segundo relato de dois interlocutores, é a de ter carta branca para mudar até mesmo o comando do Ministério do Planejamento e do Banco Central, além de autonomia para mexer na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil.

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2015 | 08h58

A sondagem informal a Meirelles foi feita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em público, nega a iniciativa. Lula desembarcou na noite de ontem, em Brasília, para mais uma rodada de conversas políticas. O ex-presidente do Banco Central desmentiu qualquer convite “concreto” para a Fazenda. Duas pessoas que conversaram com ele, porém, confirmaram ao Estado que Meirelles avalia como essencial ter liberdade para fazer mudanças na equipe econômica, caso venha a dirigir a Fazenda.

Irritada com o que chama de “boataria”, a presidente Dilma Rousseff ainda resiste em trocar Joaquim Levy por Meirelles. O máximo que ela admite é o “ajuste do ajuste”, ou seja, um “respiro” na dureza da política econômica, para injetar mais crédito na praça.

Dilma não gosta de Meirelles, com quem teve duros embates quando era chefe da Casa Civil, no governo Lula. Diante de tanto bombardeio, porém, a dúvida no mercado financeiro é por quanto tempo Levy vai aguentar. “Mas a solução para a economia do País é Meirelles?”, ironizou o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), que na terça-feira foi anfitrião de um jantar para Levy, do qual participaram 52 senadores de vários partidos. “Eu acho que Meirelles não pensa muito diferente de Levy. Os dois são tucanos.”

Dirigentes do PT, senadores e deputados do partido querem a saída de Levy, mas a grande maioria não concorda com Lula na opção por Meirelles. O PT quer entregar a Fazenda para o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, considerado mais “desenvolvimentista”. Na avaliação de Eunício, a investida do PT contra Levy desestabiliza ainda mais o governo. “Não se pode ter um ministro da Fazenda sob suspeita de que vá cair”, insistiu o líder do PMDB.

No jantar dos senadores com o comandante da economia, definido por um dos participantes como “massacre da serra elétrica”, houve cobranças pelo aumento da recessão e pelo fato de o governo não apresentar alternativas viáveis para sair da crise. Sem usar meias palavras, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) provocou constrangimento ao se dirigir a Levy. “Pessoalmente, não tenho nada contra o senhor, mas desaprovo essa política econômica”, disse Requião. Para o líder do PMDB no Senado, Levy fez um gesto importante ao enviar, depois, uma nota de agradecimento pela receptividade no jantar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.