EFE/Laurent Gillieron
EFE/Laurent Gillieron

'Meirelles precisa se mexer se deseja estar à frente', diz líder do PSD

Deputado do partido de ministro da Fazenda critica falta de diálogo de presidenciável dentro da legenda e afirma que Alckmin larga na frente na disputa presidencial

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

29 Janeiro 2018 | 15h09

BRASÍLIA - Novo líder na Câmara do partido do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o deputado Domingos Neto (PSD-CE) afirmou nesta segunda-feira, 29, que o pré-candidato precisa se mexer se quiser estar "à frente" na disputa presidencial, em entrevista ao Estadão/Broadcast. "O ministro Henrique Meirelles possui todas as qualificações que o credenciam como um candidato preparado para a gestão do nosso País. (...) Agora, ser preparado e não ter nenhum apoio político não vai para frente. Ele precisa se mexer, se deseja estar à frente", declarou. Meirelles já afirmou que sua decisão sobre candidatura só será decidida em março.

Neto disse que Meirelles precisa mudar seu perfil e conversar mais com a própria bancada e com outros partidos, se quiser se viabilizar. O líder admite que há um "distanciamento" do ministro em relação aos deputados do PSD. "Ele precisa, sim, saber que, se quer ser candidato, todo candidato é político. Pode ser executivo até a hora em que ele não seja candidato ou pré-candidato", afirmou. "Não existe candidato que não se elege sem pedir votos. E para pedir voto, tem que ser político." 

+++ Ausência da candidatura de Lula beneficia nomes de centro, diz Meirelles

Para o líder do PSD, a "grande desvantagem" de Meirelles é o "grande trunfo" do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele ressaltou que Maia tem a seu favor pelo menos dois fatores que favorecem a candidatura dele à Presidência: a boa relação política dentro e fora da Casa e incertezas em alguns partidos do Centrão em relação a quem serão os candidatos e "aonde vai chegar a Lava Jato". "Rodrigo está percebendo esse momento e pode ser um nome a representar esse segmento", disse. 

+++ Depois do Twitter, Henrique Meirelles cria perfil no Facebook

O governador Geraldo Alckmin (PSDB), diz Neto, "larga na frente" na corrida eleitoral. "O Geraldo Alckmin, sem dúvida, larga na frente, porque tem uma projeção mais sólida. Você consegue enxergar na candidatura dele uma solidez, que vai desde o partido, um dos maiores do País, que tem vários governadores e deputados. Ele já tem uma estrutura", disse Neto. "Dos três (Maia, Meirelles, Alckmin), (o governador paulista) é o que tem uma candidatura mais consolidada. Os outros vão ter que se mexer para consolidar suas candidaturas", reforçou.

+++ Meirelles diz que Lula lidera pesquisa porque pessoas têm boas lembranças de seu governo

PREVIDÊNCIA

O parlamentar cearense afirmou também que, após as mudanças no texto e propaganda na mídia, o apoio à reforma da Previdência cresceu entre os deputados. Segundo ele, hoje 2/3 da bancada do PSD - a quarta maior da base aliada, com 38 deputados - devem votar pela aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria. Até então, a bancada estava dividida. Apesar do apoio, Neto considerou "arriscado" apostar que a reforma será votada na Casa até março, como quer o governo.

Neto avaliou que, na Câmara, há um "consenso" de que "uma reforma" da Previdência é necessária e que a grande discussão é "qual vai ser a reforma". Segundo ele, é "notório" o crescimento do apoio à reforma, mas ainda não é possível garantir que a proposta será votada até março. "Sinto que esse ano será votado com certeza. Agora, dizer que vota em fevereiro ou março, ainda é uma aposta arriscada", disse. Para ele, se a matéria for votada após as eleições, a reforma pode ter abrangência maior. 

O líder avaliou ainda que, hoje, a falta de uma sinalização forte do Senado de que votará a matéria diminui o apoio à reforma entre os deputados.  "O Senado não nos dá segurança que aprovaria. Isso dificulta a aprovação, porque aqueles que não querem ter o ônus dessa votação tão polêmica em ano eleitoral, se têm a convicção de que o Senado não vota, por que votariam também?", afirmou. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.