Meirelles: mudança partidária é da dinâmica pública

Ao justificar, hoje, sua filiação ao PMDB, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que já integrou o PSDB, disse que a mudança partidária sempre fez parte da dinâmica pública. Ele lembrou que membros do PMDB já foram para o PSDB e vice-versa. "Minha candidatura a deputado federal (pelo PSDB) foi adequada, e não só pela votação importante", disse, referindo-se ao pleito que o elegeu como deputado com número recorde de votos pelo Estado de Goiás. Ele lembrou que essa vitória o possibilitou a aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o Banco Central. "Essa foi uma decisão de colaborar com o Brasil e, consequentemente, com Goiás", ressaltou.

CÉLIA FROUFE, Agencia Estado

30 de setembro de 2009 | 15h08

De acordo com Meirelles, a decisão pelo PMDB foi tomada por conta de esse ser o maior partido no Estado, o que obteve o maior número de votos na eleição de 2008 e de ser um partido histórico. "O importante é participar do debate", afirmou. "Fico honrado com a preocupação de outros partidos com a minha filiação, considero isso uma homenagem", avaliou. Sobre o fato de não ter se filiado ao PP, apesar de ter também flertado com o partido, Meirelles argumentou que sempre deixou claro ao receber os convites de filiação que ainda não tinha uma decisão acertada. "Minhas relações com o PP são excelentes", garantiu.

Meirelles evitou fazer análises políticas. Ao ser questionado se votaria em um candidato que tivesse ficha-suja, tema de projeto de iniciativa popular encaminhado ao Congresso Nacional, respondeu: "Meu próximo voto é no Copom", referindo-se ao Comitê de Política Monetária, que define a taxa Selic a cada 45 dias.

Ele agradeceu a "calorosa" recepção dos goianos e reafirmou que não decidiu ainda se disputará cargo eletivo. Também aproveitou a oportunidade para ressaltar o grande volume de empregos criados no País e destacar o papel da autoridade monetária em relação ao comportamento dos preços. Para o presidente do BC, a escolha do PMDB foi "natural", entre outros motivos, porque o partido é da base aliada do governo Lula. "Mas não vou tratar de política partidária até março. Meu foco é 100% no BC", disse.

Meirelles considerou "normais" as especulações a respeito de uma possível candidatura sua como vice da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, numa eventual disputa à Presidência da República. "Agora, é normal que isso ocorra. E é legítimo", disse, no ônibus que o levou da sede do PMDB de Goiás a sua residência na cidade, após filiar-se ao partido. Com a filiação, além da hipótese de se candidatar a uma vaga no Senado por Goiás, há a possibilidade de concorrer como vice de Dilma.

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