Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Meirelles manifesta dúvidas em deixar a Fazenda para se candidatar

Interlocutores brincam que é mais fácil adivinhar voto de Rosa Weber do que a decisão do ministro

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2018 | 13h57

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, mantém grande suspense em relação à decisão de renunciar amanhã ao cargo para buscar uma candidatura à Presidência da República nas eleições de outubro.

Interlocutores mais próximos contam que é mais fácil adivinhar o voto da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento de ontem do habeas corpus do ex-presidente, do que a decisão de Meirelles.

Oficialmente, Meirelles afirma que só vai tomar a decisão amanhã. Reservadamente, o ministro manifesta ainda ter muitas dúvidas porque não quer ser vice-presidente numa chapa do MDB, partido em que se filiou na última semana numa cerimônia que contou com poucos caciques emedebistas. Ser vice nunca foi sua pretensão, o que já foi dito diversas vezes.  

Lideranças do MDB resistem também a dar apoio a Meirelles nos seus redutos eleitorais, um risco de isolamento que é recorrente nas candidaturas do MDB. 

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Na cerimônia de filiação, Meirelles chegou a dizer que deixaria o Ministério da Fazenda na sexta-feira, depois voltou ao discurso que não havia decidido no twitter. Foi a porta aberta para ficar onde está, segundo assessores. 

O ministro tem tido dificuldades em obter ressonância junto à população da melhora da economia e da retomada do crescimento. Os índices econômicos mais favoráveis não foram suficientes para impulsionar a avaliação positiva do governo como mostrou pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Meirelles, que conduziu o processo de ajuste da política econômica, não consegue se apropriar do ganho com a queda da inflação, juros e da melhoria do emprego na sua popularidade. Pesquisas encomendadas indicam que não houve alteração na sua intenção de voto.

Pela regra eleitoral, o prazo final para deixar o governo é no sábado. Mas a sua saída precisa estar publicada no Diário Oficial da União até lá.

Quando foi presidente do Banco Central, no governo Lula, Meirelles deixou em suspense a sua decisão de renunciar ao cargo para se filiar e tentar uma candidatura nas eleições de 2010.

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