Meirelles inicia semana sob pressão

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Ramez Tebet (PMDB-MS), decide terça-feira se vai convidar o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para prestar esclarecimentos. "Não quero marcar antecipadamente para não fazer um negócio chocho", disse. "Na terça-feira vejo o ambiente e, se tiver clima, vou convidá-lo para dar explicações." Tebet acha que, na condição de presidente do BC, Meirelles precisa esclarecer os fatos. "Acho que ele deve ser o maior interessado." De fato, Meirelles já disse ao senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que quer ir ao Senado dar sua versão sobre as denúncias divulgadas neste final de semana pelas revistas Veja e Isto É. Sua estratégia é debater abertamente o tema, para provar que não tem nada a esconder. À Agência Estado, Meirelles disse no sábado que está "absolutamente tranqüilo", pois todas as operações denunciadas foram feitas sob a orientação de advogados e rigorosamente dentro da lei. No entanto, parlamentares da oposição prometem carga pesada nesta semana, quando o Congresso volta aos trabalhos. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), diz que fará pressão pela saída do presidente do BC. "Ele não tem condições de continuar", afirmou. "O guardião da moeda nacional tem de ser como a mulher de César: não só ser, como parecer honesto." O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), acha que Meirelles e o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, têm de se explicar no plenário da Casa. Operação abafa O governo está determinado a abafar a crise, mas a avaliação na equipe econômica é que a tarefa foi dificultada pelo pedido de demissão, na semana passada, do diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Augusto Candiota. "Ele deu ao assunto uma dimensão que não tinha", comentou um integrante da área econômica. Com isso, aumenta a pressão especialmente pela demissão de Casseb que, segundo a Isto É, fez operações financeiras semelhantes às de Candiota. O diretor de Política Monetária deixou o cargo apesar de Meirelles e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, terem tentado convencê-lo do contrário. "Perdi a motivação", desabafou o ex-diretor na semana passada. A mesma irritação foi demonstrada por Casseb na quarta-feira. Ele convocou uma entrevista coletiva, mas não respondeu a nenhuma pergunta. Agitado, com a voz embargada em alguns momentos, Casseb deu sua versão dos fatos e desabafou: "Isso invade a gente, é desagradável". Segundo o presidente do BB, o denuncismo é uma das razões pelas quais "muita gente competente não quer vir trabalhar no governo".

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