José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Meirelles foi o pior presidente do Banco Central que o Brasil já teve, diz Serra

Em evento para empresários, senador afirma que Levy é sujeito bom e que trocá-lo por alguém ligado a Lula não resolve problema; para o tucano, País precisa de governo novo

Ana Fernandes, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2015 | 13h04

Atualizada às 18h58 de 17 de novembro para corrigir erro de digitação em cotação do dólar. O valor correto dito por José Serra era R$ 1,60

O senador José Serra (PSDB-SP) afirmou nesta segunda-feira, 16, que Henrique Meirelles, um dos nomes cotados para eventualmente assumir o Ministério da Fazenda no lugar de Joaquim Levy, foi o pior presidente do Banco Central que o país já teve. O senador chegou a chamar Meirelles de ignorante e especulador. "Não lembro de presidente do Banco Central tão ignorante ou comprometido com especulação cambial como esse senhor", disse Serra em apresentação a empresários do setor químico na capital paulista.

Para Serra, enquanto o mundo estava diminuindo juros na época da crise financeira de 2008, Meirelles à frente do BC aguardou mais de cinco meses para baixar a taxa brasileira e quando o fez, foi lento na reação. "O dólar voltou ao patamar de R$ 1,60, foi um golpe de morte na indústria", disse o tucano.

Serra disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "jogou pela janela" a bonança econômica da década passada e que a presidente Dilma Rousseff é culpada por equívocos em licitações de infraestrutura. Segundo o senador, a primeira década do século XXI foi o período de maior bonança para a América Latina dado o boom das commodities. "Jogaram essa chance pela janela, esse dinheiro foi torrado em consumo, não foi usado para aumentar a competitividade da economia".

O senador criticou Dilma por "regular a taxa de lucro" e afastar o interesse da iniciativa privada. Disse também que, em sua gestão, a presidente cedeu desonerações para a indústria sem exigir contrapartidas de investimento.

Governo novo. O senador avaliou, ainda, que o governo Dilma não terá condições de proporcionar uma "união nacional", recuperar credibilidade e levar o País a sair de um ciclo vicioso para um ciclo virtuoso. "O Brasil precisa de um governo novo, é uma realidade política, não estou entrando no mérito de se pode ou não pode."

Serra disse que Joaquim Levy, ministro da Fazenda, é um "sujeito bom" e que não resolve o problema trocá-lo por alguém ligado ao ex-presidente Lula - referindo-se a Henrique Meirelles.

Ao criticar a política de comércio internacional desenvolvida pelos governos petistas de Lula e Dilma, Serra disse que o Mercosul se tornou uma "supernação bolivariana" que deixa o Brasil amarrado. Para o senador, se o Brasil não estivesse preso ao Mercosul, poderia "embarcar" em acordos de livre comércio com os Estados Unidos. O tucano avaliou que o Brasil "carrega" países menos industralializados. "A China não vai carregar países como Vietnã e Camboja em acordos internacionais, com todo respeito que esses países merecem."

CPMF. Na apresentação, Serra também afirmou que a CPMF não vai passar no Congresso Nacional."Não vai passar", disse convicto e muito aplaudido pelos presentes. 

"O Brasil não queria o diabo da CPMF em 2007, com o governo Lula em alta, você acha que agora vai aprovar?", disse o senador em referência ao ano em que a contribuição foi derrubada no Congresso, contra a vontade de prorrogação do governo.

Serra concordou com integrantes da plateia que reclamavam que não é o momento para aumento de impostos, dado que a economia está em recessão. "A economia não está caindo, está parando", respondeu à observação de um empresário inconformado com as propostas do governo de aumentar a carga tributária.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.