Meirelles aceita convite para comandar Autoridade Pública Olímpica

Ex-presidente do Banco Central foi indicado pela presidente Dilma Rousseff e terá autonomia para coordenar as obras federais, estaduais e municipais até 2014

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, da Agência Estado

14 de março de 2011 | 18h52

Brasília - O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles anunciou nesta segunda-feira que aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff para presidir a Autoridade Pública Olímpica (APO). A nova função dará a Meirelles um mandato de quatro anos, período em que atuará com autonomia para coordenar as obras federais, estaduais e municipais até 2014.  Após a realização da Copa do Mundo, a estrutura da APO será reavaliada para identificar a necessidade ou não de ampliar o número de cargos para a preparação dos Jogos Olímpicos de 2016.

Em entrevista no Palácio do Planalto, após encontro com Dilma, ele discordou que o texto da Medida Provisória que cria a Autoridade Olímpica tenha esvaziado o novo órgão. "Não há dúvidas de que o governo Federal, o Estado e o município do Rio vão executar as obras. A Autoridade Pública Olímpica coordena, aprova e monitora o trabalho de todos dos órgãos", disse Meirelles. Segundo ele, o projeto aprovado pelo Congresso restringiu o número de cargos, mas as modificações no texto respeitaram autonomia do órgão.

A uma pergunta sobre a decisão de Dilma de não criar mais a estatal Brasil 21, que seria vinculada ao ministério dos Esportes e teria capacidade de executar as obras da Olimpíada, ele se limitou a dizer que a empresa não era vinculada a APO, mas ao ministério dos Esportes.

Meirelles disse que sua experiência de oito anos no Banco Central no governo Lula e os 30 anos em que atuou na iniciativa privada pesaram na decisão de Dilma em indicá-lo para o cargo. Ele disse ainda que outro fator que influenciou a decisão foram seus contatos com investidores nacionais e estrangeiros e órgãos esportivos.

Ele disse que representantes do Comitê Olímpico Internacional chegaram a telefonar para ele para incentivá-lo a assumir o posto e lembrar que ele foi importante na escolha do Rio para ser a sede da Olimpíada. "Me ligaram e me disseram: 'você vai ter que ser o responsável para fazer com que isso aconteça'", contou.

Meirelles não quis responder a perguntas sobre os gastos que o governo terá com a realização dos jogos e sobre o regime especial de licitação para o evento. Segundo ele, a realização dos jogos no Brasil é importante, pois mostrará a capacidade organizacional do país de montar um projeto da magnitude de uma Olimpíada. "Isso é um projeto que muda a percepção sobre o país. E a Olimpíada tem a capacidade de transformar uma cidade", disse.

Questionado se as medidas macroprudenciais podem conter a inflação e diminuir a pressão pelo aumento da taxa Selic, Meirelles evitou responder: "Eu ainda estou no período de quarentena do Banco Central e, portanto, não posso me pronunciar sobre isso".

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