Meio Ambiente manterá pastor no cargo

Ele é acusado de usar a estrutura do ministério para comandar cultos

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

22 Janeiro 2008 | 00h00

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) informou ontem que o pastor Roberto Firmo Vieira, da Igreja Assembléia de Deus, a mesma da ministra Marina Silva, será mantido no cargo de consultor, função que ele exerce desde 2005, por intermédio de contrato mantido com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Reportagem publicada no dia 19 pelo site O Eco noticia que o pastor usa a estrutura da pasta para comandar cultos, alguns com a presença da ministra. No contrato com o PNUD, Vieira deveria ajudar a organizar a Conferência Nacional do Meio Ambiente, que ocorre a cada dois anos.Como a ministra estava viajando, o ministério indicou Pedro Ivo de Souza Batista, diretor do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental da pasta e chefe do pastor, para esclarecer o caso. Segundo Pedro Ivo, Vieira é consultor técnico do Meio Ambiente. Como em 2007 o pastor distribuiu no Congresso um cartão sobre o evento "Os cristãos e a criação", com um telefone do ministério para contato, o Eco perguntou se isso não foi irregular. Pedro Ivo respondeu: "A questão ambiental tornou-se uma preocupação mundial. Cientistas, movimentos sociais, pastorais e igrejas, entre outros setores da sociedade, têm colocado em suas ações atividades em defesa do meio ambiente. Foi assim com a Campanha da Fraternidade, com o tema água, tendo o MMA colaborado ativamente." O evento "Os cristãos e a criação", porém, não visava a buscar saídas para o planeta Terra, mas reforçar a teoria do criacionismo, que combate a tese do evolucionismo, de Charles Darwin.Foi ainda questionado a Pedro Ivo se as dependências da pasta estavam sendo utilizadas para cultos evangélicos. O assessor disse que o ministério "disponibiliza sua sala multimídia, mediante agenda disponível, para atividades legítimas de seus servidores e consultores sem discriminação, inclusive de opção religiosa". Ele declarou ainda que o culto acontece por iniciativa de servidores que professam essa religião, "sempre fora do horário de expediente". No primeiro contrato com o PNUD, o pastor atuou como coordenador de eventos da Segunda Conferência Nacional do Meio Ambiente, em 2005. Recebeu R$ 40 mil pelo trabalho e teve o contrato renovado duas vezes.Na notícia sobre a contratação do pastor, o Eco lembrou que, desde que chegou a Brasília, a senadora Marina Silva (PT) esteve ligada à bancada evangélica. Sua conversão se deu há mais de uma década, tendo sido consagrada missionária da Assembléia de Deus em 2004.

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