Megaacampamento no Pontal já tem 3,6 mil famílias

O megaacampamento do líder dos sem-terra José Rainha Júnior em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema, atingiu hoje a marca de 3.600 famílias inscritas, passados pouco mais de dois meses de sua inauguração no dia 25 de maio. Segundo o coordenador Edi Ronan, do Movimento dos Sem-Terra (MST), foram numerados 3.500 barracos, mas uma parte deles abriga mais de um grupo familiar. As construções de madeira e lona preta ocupam cerca de 4 quilômetros de acostamentos nos dois lados da SPV 35, rodovia vicinal que liga Epitácio a Teodoro Sampaio. Segundo Ronan, continuam sendo montados de 70 a 80 barracos por dia, o que o faz prever que a meta de Rainha, de ter 5 mil famílias acampadas até o fim de julho, será atingida e pode ser ultrapassada. "Estamos com a represa quase cheia, vai chegar a hora de romper a barragem", afirmou, numa alusão aos próximos passos previstos pela coordenação do acampamento. "Vamos em busca da terra."O coordenador explicou que a decisão do grupo liderado por Rainha é aguardar o encontro das lideranças do MST com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para o próximo dia 7, em Brasília, antes de iniciar uma nova mobilização. "Sem ter uma resposta do Lula não vamos romper o aterro, pois ainda acreditamos que o presidente Lula vai honrar seu compromisso de acelerar a reforma agrária." Se no encontro houver uma sinalização positiva nesse sentido, as famílias que estão no acampamento Jahir Ribeiro vão ter um pouco mais de paciência, segundo ele. "Quem já esperou quatro ou cinco anos pode esperar um pouco mais." Caso não haja uma proposta concreta, terá início uma sequência de ocupações. "Aí as comportas da barragem vão estourar." Segundo ele, os acampados estão sendo preparados para lutar pela terra de forma pacífica. "A luta do MST é a ocupação."O líder José Rainha reuniu-se hoje de manhã no acampamento com os coordenadores dos grupos internos. Ele continua evitando a imprensa e mantém desligado seu celular. Lideranças regionais dizem que Rainha quer a todo custo evitar declarações que possam acirrar as divergências com dirigentes do MST. O ex-coordenador está na mira de líderes como Gilmar Mauro, que desejariam sua exclusão total da militância.

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