Mega-Sena dupla começa em 1º de agosto

A Caixa Econômica Federal (CEF) informou nesta sexta-feira que prevê um crescimento de 20% na arrecadação da Mega-Sena, que, a partir do dia 1º de agosto, passa a ter dois sorteios semanais (quarta-feira e sábado)."Só este ano, a loteria já rendeu R$ 531 milhões", destaca o superintendente nacional de loterias da CEF, Marco Antônio Lopes. Com o sorteio duplo, os concursos de final zero (10, 20, 30 etc), que oferecem quantias maiores e que antes aconteciam a cada 10 semanas, passam a ocorrer a cada 5 semanas. Segundo Lopes, deve haver uma pulverização das apostas. "Talvez a quantidade de apostas cresça com esta novidade na Mega-Sena, mas o valor médio deve diminuir, já que as pessoas vão continuar gastando o que gastavam até agora e repartirão o dinheiro em cada sorteio", acredita.Os preços das cartelas serão mantidos, em R$ 1 para a aposta mínima de 6 dezenas e em R$ 210 para a aposta máxima, de 10 dezenas. O superintendente da Caixa diz que a reação dos representantes das casas lotéricas à iniciativa foi positiva. No entanto, Reinaldo Bullara, sócio-gerente de um estabelecimento localizado na Alameda Barão de Limeira (zona central da cidade), está preocupado com o faturamento, hoje de R$ 80 mil mensais."Vamos perder os grandes rateios, porque, com dois sorteios, o grande apostador de bolão não vai ter condições de jogar", sustenta. "Estourando, teremos um aumento de 20% no movimento, mas vai ser difícil o pessoal que só joga no grande prêmio (final zero) dobrar as apostas", explica. Já Gilmara Paiva de Souza, responsável pela lotérica Liá, a maior de São Paulo, segundo números da CEF, não prevê queda no faturamento em caixa."No começo, pouca gente vai saber da novidade, mas, aos poucos, todos os que apostam na Lotomania e na Supersena (que também têm dois sorteios semanais) vão aproveitar para jogar na Mega-Sena", avalia.De acordo com ela, o movimento mensal da casa localizada na Avenida Rebouças (zona oeste da capital), por onde passam mensalmente de 30 a 40 mil pessoas, poderá aumentar em até 80%.Também Rogério Acceta, proprietário da Acceta Lotérica, o segundo maior estabelecimento do setor em São Paulo, aguarda incremento nas vendas de bilhetes e no movimento."Esta nova Mega-Sena tem tudo para dar certo, porque o apostador não gosta de esperar . Ele quer é jogar". O empresário aguarda um acréscimo mensal de 20% no número de jogadores (de 9 mil para 12 mil) e de 20% no faturamento. Para o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, o surgimento de mais um sorteio de loteria não prejudicará o grau de consumo de itens como alimentação, habitação, vestuário etc."O acréscimo de mais uma loteria não impacta no varejo, porque as pessoas já têm uma fatia específica reservada no orçamento para o jogo. No máximo, vão diluir este dinheiro em dois sorteios", prevê.Segundo ele, desde a década de 70, quando a Loteria Esportiva explodiu e virou mania, "nunca houve uma queixa no sentido de que as loterias afetam o consumo", diz. "O que já ouvi foram críticas morais de alguns empresários de que o governo estimula o jogo". O superintendente nacional de loterias da CEF declara que os jogos legalizados não oferecem nenhum risco sobre os apostadores."Como há limites de aposta e controle, não existe o perigo de as pessoas perderem o seu patrimônio. Não é como os jogos pirateados, que misturam entretenimento e aposta. Tentar a sorte é um componente do cotidiano", pondera Marco Antônio Lopes.

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