Advogado-geral diz que notícias sobre sua demissão são 'ilações'

Em nota, ele afirma que "permanece trabalhando na defesa do Estado Brasileiro"

O Estado de S. Paulo, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2016 | 19h20

BRASÍLIA - O advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, disse não passar de "ilações" as notícias de que teria aborrecido o presidente em exercício Michel Temer e corria o risco de ser demitido do cargo.

Em nota, a assessoria de imprensa de Medina diz que "apesar das ilações equivocadas sobre sua atuação, ele permanece trabalhando na defesa do Estado Brasileiro e dos atos do presidente da República, sempre com responsabilidade, equilíbrio, seriedade e transparência".

Segundo o Estado apurou, é "crítica" a situação do advogado-geral da União no Palácio do Planalto. Ele teria criado inúmeros embaraços para o governo desde que assumiu seu posto e já perdeu o apoio até mesmo do seu padrinho político, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

No texto, a assessoria do AGU rebate a informação de que ele teria adotado uma estratégia errada no caso da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), cuja presidência foi devolvida a Ricardo Melo, na última quinta-feira por meio de uma liminar concedida pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a nota, não caberia ao ele elaborar uma manifestação ao Supremo, pois nesse caso a AGU teria que atuar com distanciamento. "É importante ressaltar, ainda, que os magistrados atuam com total isenção e independência."

A assessoria também diz que ao "contrário do que foi divulgado por parte da imprensa, não ocorreu qualquer tipo de embaraço na requisição dos serviços da FAB para o cumprimento de agenda pública e oficial em Curitiba esta semana".

O texto sustenta que o advogado-geral da União tem status de ministro de Estado e, por isso, tem prerrogativa legal para solicitar transporte área. Na reforma ministerial idealizada por Temer, porém, a AGU perderia tal prerrogativa.

Segundo assessores palacianos, os problemas começaram assim que Medina assumiu o cargo. Sem consultar Temer ou Padilha, o AGU questionou a atuação do seu antecessor, José Eduardo Cardozo, na defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, na fase inicial do processo de impeachment. Abriu, assim, uma frente de batalha que o governo considerava desnecessária, naquele momento.  

"Ele ficou deslumbrado com o cargo e agiu de forma indevida em muitos casos", comentou um interlocutor do Planalto ao lembrar que até os servidores da própria AGU já fizeram chegar à Presidência inúmeras críticas a ele, pelas suas ações. "Está ficando muito difícil de conviver com ele", emendou outro assessor palaciano. "A sua situação está extremamente delicada", acentuou.

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