Médicos pedem mais atenção para a ansiedade

Especialistas em distúrbios psiquiátricos reunidos no Rio alertaram para a necessidade de diagnóstico dos casos de ansiedade generalizada (AE), um mal que atinge cerca de 5% da população mundial, mas que é pouco lembrado pelos médicos brasileiros. Os sintomas dessa doença são preocupação, ansiedade e nervosismo em excesso, os mesmos registrados na conhecida síndrome do pânico. A diferença é que, na AE, esses sintomas são constantes e crônicos, e não ocorrem apenas em momentos de crise. Vivendo em "pânico" o tempo todo, as vítimas acabam paralisadas pela doença e não conseguem trabalhar ou se relacionar com outras pessoas, revelam as pesquisas internacionais sobre o assunto.No congresso "Novas Perspectivas em Distúrbios Psiquiátricos", encerrado hoje no Rio, os médicos destacaram a importância do diagnóstico da ansiedade generalizada para evitar que os doentes também sofram de depressão, comum nesses casos. "Essas pessoas são predispostas a ficar deprimidas, mas se o psiquiatra consegue combater a ansiedade ele também evita a depressão", explica Flavio Kapczinski, professor de psicofarmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS).Segundo ele, pesquisas internacionais revelam que a AE é tão séria que consegue incapacitar muitas de suas vítimas. Cerca de 30% dos doentes acabam deixando o trabalho e se tornam dependentes do sistema previdenciário, e outros 30% não conseguem manter um relacionamento estável por muito tempo. "Essas pessoas são tão preocupadas com sua segurança, seja física ou financeira, que não conseguem ter prazer em nada", completou o médico.EstudoOs especialistas também discutiram novos avanços no tratamento desse mal. Os doentes de AE - que geralmente são tratados com antidepressivos - ganharam uma nova droga. "Estamos otimistas porque, pela primeira vez, um remédio está agindo nas causas desses distúrbios", afirmou outro especialista na doença, Jorge Alberto Costa e Silva, que é professor de psiquiatria na Universidade de Nova York.O Stablon, como é chamado comercialmente, tem a capacidade de ajudar na reconstrução da parte do cérebro afetada pelo pânico e pelo estresse. Seu criador, o médico inglês Michael Spedding, também participou do encontro no Rio. "Sabemos que, nessas doenças, uma região do cérebro (o hipocampo) encolhe porque, quando uma pessoa fica muito estressada, ela dá início a um processo de destruição dos neurônios. Conseguimos criar uma molécula que ajuda o cérebro a restaurar essa atrofia e já mostramos que isso funciona em ratos", contou Spedding.

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