Médicos discutem qualidade do ensino de Medicina

Entidades representativas dos médicos iniciaram, em Curitiba, uma série de fóruns regionais com o objetivo de discutir requisitos mínimos para a criação de novas escolas de Medicina. "Hoje, a abertura de escolas é indiscriminada, sem controle e sem critérios", criticou o coordenador nacional do fórum Novas Escolas de Medicina - Necessidade ou Oportunismo, Ronaldo Rocha Loures Bueno. "Queremos fazer uma profilaxia do erro médico."Para o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), Jurandir Marcondes Ribas, e para o presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM) do Estado, Luiz Sallim Emed, a abertura de escolas de Medicina transformou-se em um "grande negócio". "Nos últimos dez anos, mais de 70% das novas escolas são privadas", disse Emed. "É um grande negócio, pois sempre haverá demanda." Além disso, observou que elas não são criadas com menos de 100 vagas, por ser esse o "ponto de equilíbrio" para o lucro. "A grande maioria das escolas não está preocupada com os aspectos sociais, não contempla a ética médica, a assistência à comunidade, a medicina de família", afirmou o presidente da AMP. A Organização Mundial da Saúde preconiza a existência de um médico para cada mil habitantes. No Brasil, a média é de um para cada 633 pessoas. Os últimos dados apontam que o País tem 104 escolas de Medicina, oferecendo perto de 10 mil vagas anualmente. "O que precisamos é a melhoria da qualificação do profissional, porque aí vai melhorar a qualidade do atendimento médico à população", disse Ribas Filho. O presidente do CRM acentuou que a "população está sendo enganada" quando se abre uma escola para formar profissionais que não trarão nenhum benefício. "A sociedade precisa se mobilizar para não ter profissionais que serão problemas para ela mesma", disse Luiz Sallim Emed. O presidente do CRM declarou que 70% dos formandos que comparecem ao órgão para fazer o registro profissional afirmam que se sentem inseguros para começar a trabalhar. Quando alguns retornam ao CRM, dois anos depois, para registro da especialidade, cerca de 99% já se declaram preparados. O problema, segundo Emed, é que apenas 50% dos formandos conseguem fazer residência médica ou pós-graduação. "O mau formando não tem acesso à residência, vai atender mal e os erros médicos aumentarão", lamentou. Segundo ele, seria mais produtivo os Estados destinarem recursos para melhorar as escolas já existentes do que criar novas. Com os fóruns regionais - outros serão realizados em Belo Horizonte, Belém, Distrito Federal e São Paulo -, as entidades médicas pretendem mobilizar a categoria para dar suporte ao projeto de lei que está sendo discutido na Comissão de Seguridade e da Família, da Câmara dos Deputados. Pelo projeto, a decisão sobre criação de novas escolas sairia do Conselho Nacional de Educação e passaria para o Conselho Nacional de Saúde, onde as entidades médicas têm maior representatividade.

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