Médicos controlam edema de Covas

Permanece extremamente grave o estado de saúde do governador licenciado de São Paulo, Mario Covas, de acordo com avaliação da equipe médica. Em coletiva realizada há pouco, o cardiologista Whady Hueb explicou que o edema agudo de pulmão ocorrido no final da tarde de quarta-feira é uma conseqüência de uma falência momentânea do coração. O processo resultou na quantidade exagerada de líquido no pulmão (o edema). Segundo Hueb, o quadro agudo foi resolvido com a adoção de medicamentos para a circulação e o uso de oxigenioterapia (uma máscara respiratória que leva oxigênio para os pulmões). O cardiologista não quis definir quanto da capacidade respiratória estaria comprometida. Segundo o infectologista e médico particular do governador, David Uip, o estado de saúde do governador voltou à condição anterior da ocorrência do edema. "Esse problema (edema), não representa falência múltipla de órgãos, foi um problema momentâneo", disse Uip. Ele disse ainda que o governador não chegou a ser entubado para respirar artificialmente. Na avaliação de Hueb, a falência transitória apresentada pelo coração foi causada por uma sobrecarga acima da capacidade de resposta. "Houve uma sobrecarga de volume, é uma fraqueza generalizada", disse Hueb. Segundo ele, é um grupo de fatores que está levando à retenção de líquidos. Hueb lembrou que o coração de Covas já foi operado, por causa do enfarte e já recebeu pontes de safena e mamária (1987) além da recente angioplastia (2000). "Não é um coração considerado normal", afirmou Hueb. O estado geral do paciente, segundo Uip, continua o mesmo: ele ainda alterna momentos de lucidez com sonolência; o intestino continua obstruído; a função renal continua boa e mesmo o coração e os pulmões podem ser considerados com função preservada. Uip disse ainda que o governador não está sentindo dor e que por causa do problema ocorrido no pulmão passou a receber um medicamento derivado de morfina. Segundo Hueb, essa droga "não é um sedativo, mas um tranqüilizante". Uip reafirmou que os tratamentos de quimio e imunoterapia, para combater o câncer da meninge, estão suspensos.Por volta da meia-noite de quarta-feira, quando o edema agudo de pulmão já havia sido controlado, o governador Covas passou a ser assistido também por uma outra equipe médica, a de intensivistas (especialistas em acompanhar os pacientes internados na UTI). Essa segundo equipe terá a função de acompanhar o estado clínico de Covas 24 horas por dia. Também na quarta-feira, após a ocorrência do quadro agudo, teve início a atuação de um grupo de fisioterapeutas, que será responsável pelo trabalho respiratório e de mobilização das secreções (líquidos acumulados). O infectologista David Uip evitou fazer uma avaliação detalhada sobre uma provável evolução ou reversão do quadro clínico. Ele disse que qualquer avaliação seria prematura e que a prioridade do tratamento não é um ponto único mas um conjunto. "Em medicina não há matemática, Covas passa por momentos sob controle e outros não. O processo de cura da infecção não se resolve em cinco dias, e faz parte de um quadro dessa gravidade as situações de melhora e piora", disse Uip. Ele reafirmou que o tratamento dado ao governador vai "manter os limites da dignidade" e respeitar os desejos de Covas.Segundo Uip, até o momento de receber alta, um paciente grave como Covas é considerado um paciente de risco. "Não trabalho com prazos nem com futurologia, o quadro continua extremamente grave mas ele tem todo o tratamento possível disponível", disse Uip. A questão das visitas, segundo Uip, vai depender primeiro do estado clínico de Covas e depois da liberação por parte dos familiares. "No meio de um edema de pulmão, quando temos que atuar de forma rápida, não dá para receber visitar", afirmou Uip referindo-se ao quadro de emergência ocorrido na noite de quarta-feira.

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