Médico que fez lipoaspirações fatais tem registro cassado

O Conselho Federal de Medicina (CFM) cassou, nesta sexta-feira, por unanimidade, o registro do médico Marcelo Caron, acusado de matar cinco pacientes que fizeram com ele cirurgias de lipoaspiração. Ele foi alvo de 48 denúncias, entre as quais 32 foram transformadas em processos por lesão corporal.A cassação, a ser publicada no Diário Oficial na próxima semana, confirma decisão do Conselho Regional de Medicina de Goiás, que havia aplicado a punição máxima a Caron no caso de Janet Virgínia Novaes, que morreu em janeiro do ano passado.Os 24 conselheiros concluíram que Caron foi responsável pela morte de Janet. ?Caronagiu com imperícia, imprudência e negligência?, definiu o presidente do CFM, EdsonOliveira Andrade.O relator do caso, o cirurgião plástico Antônio Pinheiro, explicou que Caron não poderia ter indicado lipoaspiração para Janet, que estava bem acima do peso. Durante a cirurgia, ele acabou perfurando o intestino com a cânula usada para sugar a gordura e infectando outras áreas da barriga, o que causou infecção generalizada napaciente.De acordo com depoimento de um anestesista, Caron disse durante a cirurgia que teve a sensação de que perfurara a parede do intestino da paciente. Mesmo assim deu alta para Janet 20 horas após a cirurgia. Só pediu um raio X depois de dois dias em que Janet passou em casa com náuseas,vômitos e dores abdominais.?A cassação não trará minha filha de volta, mas não permitirá que ele mate mais ninguém com a cânula e o bisturi nas mãos?, desabafou a mãe de Janet, Clélia Novaes.Caron, ao final da sessão, disse que não pretende recorrer da decisão. ?Aceito o resultado?, manifestou-se. Nos dez minutos reservados na sessão à sua defesa, Caron argumentou que já havia realizado mais de duas mil cirurgias e apenas 40 apresentaram resultados insatisfatórios.?Errar é humano, mas fazer do erro uma prática contumaz é inaceitável?, afirmou Andrade, lembrando que Caron teve a oportunidade de pararquando fez acordo com o CRM-GO para suspender as cirurgias até conclusão dos processos contra ele.Porém, em novembro do 2001 veio para Brasília e sem autorização do conselho local reiniciou as lipoaspirações. Causou a morte de Graziela Murta de Oliveira e Adcélia de Souza. Não causou mais vítimas porque o promotor de Defesa dos Usuários dos Serviços de Saúde do Distrito Federal, Diaulas Ribeiro, conseguiu na Justiça a interdição temporária do exercício da profissão para Caron.?Os erros dele são grosseiros?, diz o promotor, que agora está abrindo processo contra Caron pelaapresentação em processo penal de um falso certificado de residência em cirurgia nohospital Dr. Mário Gatti. Caron tem diploma de médico, mas não tem registro decirurgião.

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