Médico precisa detectar dependência química de paciente

Todos os médicos têm uma missão:detectar em seus pacientes a dependência química. O ConselhoRegional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e aAssociação Médica Brasileira (AMB) lançaram hoje um manual com anova diretriz. O objetivo do documento é orientar a conduta dosmédicos que não são especializados no tratamento da dependênciaquímica. Ao suturar um ferimento, o médico deve pensar nas causasdaquele machucado. O acidente pode ter sido provocado, porexemplo, porque o paciente abusou de bebida alcoólica. "Bastamtrês minutos de conversa com o paciente para fazer o quechamamos de intervenção mínima", explica o psiquiatra RonaldoLaranjeira, coordenador científico do manual e professor daUniversidade Federal de São Paulo (Unifesp). Essa é a oportunidade que o médico deve aproveitar paratransmitir ao paciente informações básicas sobre o uso dedrogas. O mesmo princípio deve ser seguido no atendimento deconsultório. A presidente do Cremesp, Regina Parizi, alerta que não ésuficiente o médico perguntar apenas: "Você bebe?". "Aresposta mais comum para essa pergunta é: "Socialmente". Épreciso abordagem adequada, capaz de detalhar o uso que opaciente faz da substância, mas deixando-o à vontade para falarsobre o assunto." A idéia parte do princípio de que, mais cedo ou maistarde, quem é dependente de alguma droga acaba procurando umserviço de saúde para tratar outras doenças. Por isso, todos osmédicos precisam estar habilitados para reconhecer a dependênciasem que o paciente se queixe dela. Ao detectar o abuso, cabe aomédico ajudar seu paciente a se tratar. Se o caso for complexo,o paciente deve ser encaminhado para um especialista.Preparo"As escolas de medicina não preparam oprofissional para tratar dependência química", ressaltaLaranjeira. A abordagem do abuso como um problema de saúde érecente. No passado, a dependência de drogas era considerada pormuitos falta de caráter e fraqueza moral, não doença a sertratada. As entidades querem que o médico veja a dependênciaquímica como um problema de saúde. Regina reforça que o abuso de drogas já é um problema desaúde pública, pois atinge todas as camadas sociais. "O desafioque acompanha a história da humanidade é descobrir porque tantaspessoas no mundo precisam da droga para se sentir melhor."Apesar de a origem do problema permanecer desconhecida pelaciência, a dependência química tem tratamento que envolvemedicamentos e psicoterapia. Ainda há carência de serviços públicos especializadospara tratar dependência química, mas Laranjeira diz que as redestêm sido ampliadas. Os especialistas reforçam que os grupos deauto-ajuda, como os Alcoólicos Anônimos, também têm um papelimportante no tratamento. No Brasil, o álcool é a droga mais usada. Levantamentofeito nas 107 maiores cidades do País mostra que 11,2% dosbrasileiros são dependentes de bebida alcoólica. "Muitasdoenças têm como causa determinado comportamento. E mudarcomportamento faz parte do trabalho do médico", completaLaranjeira. O manual, que será distribuído para os 285 mil médicosdo Brasil, traz informações básicas sobre a dependência de oitosubstâncias: álcool, nicotina, maconha, cocaína, anfetaminas,benzodiazepínicos (calmantes), opiáceos (morfina) e solventes. Odocumento completo também está disponível no site do Cremesp:www.cremesp.com.br.

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