Médico pede repouso, mas Dilma volta ao trabalho

Infectologista David Uip afirma que estado de saúde da presidente, que foi diagnosticada com pneumonia leve no fim de semana, apresentou melhora

Fausto Macedo e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo, e Gustavo Uribe, da Agência Estado

02 de maio de 2011 | 23h00

O médico infectologista David Uip, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, afirmou nesta segunda-feira, 2, que o estado de saúde da presidente Dilma Rousseff (PT) apresentou melhora do quadro de pneumonia que atingiu seu pulmão esquerdo e que ela poderá retomar, gradativamente, a rotina de trabalho. "Melhorou bem, foi muito objetiva a melhora", declarou Uip, às 19 horas.

 

Mas, apesar da recomendação médica para que repousasse, Dilma reuniu-se, na tarde desta segunda, de volta a Brasília, com o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, e com o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, por quase três horas, para discutir diversos problemas do setor.

 

Pela manhã, por cerca de meia hora, Uip acompanhou a junta que examinou Dilma no apartamento em que ela estava hospedada em um hotel nos Jardins, na capital paulista. A presidente foi submetida a um exame clínico, sob coordenação de seu médico, o cardiologista Roberto Kalil Filho, e do doutor Raul Cutait, cirurgião e gastroenterologista.

 

Ainda no domingo, 1º, ao informar o diagnóstico, Kalil Filho disse que "é uma pneumonia leve e que a presidente está se tratando com antibióticos". Kalil decidiu trocar o medicamento recomendado pelo médico da Presidência, Cleber Ferreira, que é ortopedista de formação.

 

Dilma foi aconselhada a reduzir o ritmo de trabalho.

 

Ela chegou sábado, 30 de abril, à noite em São Paulo. No domingo, submeteu-se a uma bateria de exames no hospital. "Ela está bem, muito melhor", declarou Uip, ontem. "Nós orientamos para que ela diminua as horas de trabalho", acrescentou. "Algumas horas de trabalho por dia, um pouco no período da manhã, um pouco à tarde."

 

Vacina. O infectologista observou ainda que Dilma está sendo medicada com dois tipos de antibióticos. Segundo ele, a pneumonia, "em hipótese nenhuma, pode ter sido causada pela vacina da gripe".

 

Dilma tomou a vacina no último dia 25. Conforme Uip, a substância possui um vírus morto, que não provoca a doença. Sobre a origem da pneumonia, o médico disse: "Estamos tentando descobrir o agente". Um indício é o ar-condicionado de uma sala do Planalto, sob temperatura muito baixa, onde Dilma se reuniu na quarta-feira.

 

A investigação se dará por dois caminhos, explicou. Primeiro, por meio da coleta de sangue já realizada. "A sorologia pareada vai permitir verificar se houve aumento dos títulos de anticorpos específicos." Os resultados da pesquisa deverão ser conhecidos na próxima semana.

 

"O importante é que a escolha dos antibióticos deu certo", afirmou o médico, em referência aos medicamentos que ela começou a tomar em Brasília, antes de se deslocar para São Paulo.

 

A presidente Dilma quer reduzir a maratona de compromissos oficiais. No Planalto, há uma preocupação em demonstrar que ela está trabalhando normalmente e gozando de bom estado de saúde, para afastar qualquer relação com retorno dos problemas de câncer que enfrentou no passado.

 

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