Médico nega castração de meninos em Altamira

O médico Anísio Ferreira de Souza negou nesta terça-feira, durante julgamento no tribunal do Júri, que tenha participado da tortura, castração e morte de cinco meninos de Altamira, no Pará, entre os anos de 1989 e 1993. Segundo ele, seu nome foi envolvido por "armação de adversários políticos". Ele se disse praticamente do espiritismo e que nada tem a ver com supostos rituais de magia negra ou sacrifícios humanos. "Meu juramento ao receber o diploma de médico foi o de salvar vidas e não tirá-las", disse.Anísio negou relacionamento profissional com o outro médico acusado de castrar crianças, Césio Brandão, cujo julgamento será realizado no próximo dia 8. "Só tive contato com ele uma vez, em 1992, numa carreata em Altamira para angariar votos na minha campanha de vereador", disse ao juiz Ronaldo Valle. Perguntado sobre a relação com a líder da seita Lineamento Universal Superior (LUS) Valentina de Andrade, apontada no processo por testemunhas como a mulher a quem recebia em sua chácara para rituais satânicos, o médico respondeu que jamais esteve com ela.Para a promotora de Justiça Rosana Cordovil e seu assistente de acusação, Clodomir Araújo, o depoimento foi cheio de contradições, principalmente diante das provas de outros depoimentos do acusado à polícia e à Justiça de Altamira. "A situação dele ficou ainda mais complicada e vamos explorar essas contradições na fase final do julgamento", disse Araújo.O advogado Jânio Siqueira disse que o depoimento do seu cliente não foi contraditório. "Ele respondeu com firmeza às perguntas do juiz e teve um bom desempenho". Siqueira afirmou não ter dúvida de que o médico é inocente e prometeu "desmontar a farsa que estão armando contra ele nesse julgamento". O julgamento prossegue nesta quarta-feira. É provável que a sentença saia na noite de quinta-feira.

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