Médico admite que medicamento pode ter cegado pacientes

O oftalmologista da Santa Casa de Misericórdia do Rio, Evandil Bandeira Júnior afirmou neste sábado que o medicamente Metilcelulose deve estar contaminado com a bactéria intestinal Enterobacter cloacae. Ele é responsável pela cirurgia de catarata de dois pacientes que ficaram cegos: passadeira Leontina Viana Lopes, de 64 anos, e Cezar Augusto Caguano, de 69, foram operados em 4 de fevereiro. O medicamento usado na operação faz parte do lote 0102 fabricado pela Lenssurgical Oftalmologia, de Campinas, e distribuído pela Mediphacos. Ele afirma que o uso do produto também pode ter causado cegueira em cinco pacientes operados em outubro no Hospital do Fundão e outros cinco submetidos à intervenção em dezembro no Hospital de Olhos de Niterói.As suspeitas são fortes porque cirurgias similares com uso do mesmo medicamento feitas em hospitais diferentes causaram cegueira?, observa o médico. Ele questiona o fato de a Anvisa ter suspendido a venda do produto mais de dois meses depois das primeiras denúncias.A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sustentou que a Lenssurgical não estava devidamente autorizada no órgão e determinou a apreensão, em todo o território nacional, do produto fabricado pelo laboratório, em resolução de 4 de fevereiro. ?A direção do Hospital de Olhos enviou ampolas para o laboratório Silo, do Rio, que detectou a presença da bactéria. Na Escola Paulista de Medicina, porém, o exame deu negativo. Mas precisamos comparar os métodos, avalia o médico. A Assessoria de Imprensa do Hospital do Fundão confirma que cinco pacientes, que teriam sido operados em novembro, ficaram cegos após uso do Metilcelulose. O fabricante do produto, porém, teria sido o laboratório Ophtalmos. Ainda de acordo com a assessoria, o problema teria sido imediatamente informado à Anvisa, à Vigilância Sanitária do Rio e à Sociedade Brasileira de Oftalmologia.A direção da Santa Casa e da Mediphacos não se pronunciaram. O Hospital de Olhos enviou nota à redação afirmando que não autoriza ?a colocação de nosso nome vinculado à questão de contaminação por medicamentos?. Em Campinas, ninguém foi encontrado ontem na sede do laboratório Lenssurgical.Os dois pacientes operados na Santa Casa já contratam advogado que ingressá na Justiça com ação civil contra o hospital a distribuidora de produtos oftalmológicos Mediphacos por danos estéticos, morais e materiais.

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