Médico acusado de matar 5 pacientes é solto

O médico Marcelo Caron conseguiu nesta segunda-feira voltar às ruas, após passar quatro dias preso na 3ª Delegacia de Polícia de Brasília. Ele é acusado de provocar a morte de cinco pacientes, nas quais fez cirurgias de lipoaspiração.E também é alvo de 35 denúncias no Conselho Regional de Medicina de Goiás, feitas por ex-pacientes de Caron que teriam sofrido lesões corporais. A prisão de Caron foi decretada pela juíza Leila Cury, a pedido do promotor de Justiça Criminal de Defesa dos Usuários de Serviços de Saúde (Pró-Vida), Diaulas Ribeiro.Nesta segunda-feira, o desembargador Natanael Caetano, da 1ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF), revogou a prisão. Ele explicou que ?prisão preventiva é excepcional?, de acordo com o que prevê o artigo 312 do Código Penal Brasileiro. ?O argumento de que os fatos praticados pelo paciente (Caron) nesta capital causaram clamor público e repercussão extremamente negativa no seio da sociedade não se arrola entre as causas autorizadoras da prisão preventiva?, sustentou o desembargador que deferiu o habeas-corpus pedido pelo advogado de Caron, Adolfo da Costa.A história de Caron virou manchete policial com a morte da secretária Adcélia Martins de Souza, na mesa de cirurgia, enquanto era operada por Caron. Assim que Adcélia faleceu, a família de Graziela Murta Oliveira tomou coragem de denunciar o médico ao Pró-Vida, porque a estudante estava internada, na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital particular, em estado grave.Ela passou três semanas na UTI e não reagiu ao tratamento. Com os dois casos de Brasília, ressurgiram também informações sobre as três pacientes de Caron em Goiás, que também morreram depois de serem operadas por ele. O assunto criou comoção pública.Apesar de beneficiado pela decisão desta segunda-feira, Caron corre risco de ser preso novamente, porque um novo pedido de prisão preventiva contra ele já foi apresentado à Justiça. Desta vez, pelo delegado da 21ª Delegacia de Polícia, Antônio Coelho, que indiciou Caron por homicídio doloso pela morte da estudante Graziela. Para o delegado, será possível trazer Caron de volta às grades porque ele não tem residência fixa e nem emprego, em Brasília.?A qualquer momento ele pode fugir?, justifica Coelho, que não quis comentar a decisão do desembargador. ?Decisão judicial tem de ser cumprida?, desconversou, mas revelou que continuará a produzir provas para que o médico seja condenado definitivamente.O delegado informa que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) agrava a situação do médico, porque comprova que Graziela morreu por complicações pós-operatórias que lhe causaram infecção generalizada. Segundo o delegado, a bactéria encontrada no corpo da estudante não existia no Hospital Santa Marta de Brasília, onde ocorreu a cirurgia. Técnicos do IML fizeram uma inspeção no hospital a pedido do delegado.

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