MEC pune universidade por falta de qualidade

Uma decisão do Ministério da Educação (MEC) impede a Universidade de Nova Iguaçu (Unig) de realizar vestibular para 2002 e obriga a instituição a suspender cursos de formação de professores. A decisão foi anunciada hoje pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza, que homologou parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) com essas recomendações.A Unig é a primeira instituição punida pelo MEC por falta de qualidade. O processo começou em junho, com uma denúncia da revista IstoÉ, de irregularidades nos cursos de complementação da formação de professores que possuem apenas licenciatura curta (conhecidos como plenificação de licenciatura). Segundo a denúncia, confirmada pelo MEC, havia incompatibilidade entre o número de professores e alunos, sobreposição de horários de disciplinas, entre outros problemas.De acordo com o ministro, a decisão só afeta os alunos dos cursos que serão fechados - que correm o risco de ficar sem o diploma. Os outros continuarão normalmente a graduação. A Unig tem 3 mil alunos em 22 cursos.Além da Unig, outra instituição está sendo investigada pelo mesmo tipo de problema em cursos de formação de professores a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), de Presidente Prudente. O processo já foi remetido ao CNE. "Até o fim do ano devemos ter uma solução", diz Paulo Renato. A Agência Estado procurou a direção das duas universidades, mas não conseguiu contato.Avaliação - O MEC também divulgou hoje os resultados da Avaliação de Condições de Oferta de Agronomia, Biologia, Física, Letras, Psicologia e Química, o que representa 1.122 cursos de graduação. São verificados três itens: corpo docente, organização didático-pedagógica e instalações. A avaliação ocorre desde 1998 nos cursos analisados por meio do Exame Nacional de Cursos (Provão). Somando os resultados do Provão de 2001 com os da avaliação, o MEC começará a suspender as autorizações de funcionamento de cursos.A avaliação mostra que o corpo docente é o aspecto em que é necessário investir mais. Nenhum dos seis conseguiu conceito muito bom nesse item, considerado essencial para a qualidade de um curso de graduação. "Ter uma instalação boa é importante, mas se os professores forem horistas e tiverem formação ruim, não conseguem fazer bom uso da instalação nem executar o projeto pedagógico", diz Luiz Roberto Liza Curi, diretor de Políticas de Ensino Superior do MEC.Um exemplo é letras, curso que forma os futuros professores de português: apenas 9% do docentes têm qualificação muito boa. A maioria, 63%, foi considerada regular. Em contrapartida, 48% das instalações são muito boas. Dos seis cursos, psicologia é o que tem mais deficiências: 47% dos docentes têm qualificação insuficiente, 51% têm organização didático-pedagógica insuficiente e 41% das instalações são regulares.Agronomia destaca-se na organização didático-pedagógica: 92% dos cursos ficaram com conceitos muito bom ou bom. O mesmo ocorreu em química - 113 das 163 habilitações obtiveram muito bom - e em biologia, especialmente o bacharelado: 62% dos cursos ficaram com conceito muito bom ou bom, no item organização do currículo. Já física se destaca por ser bem avaliada: na maioria das instituições analisadas ficou com bom nos três itens.Como já havia sido mostrado nas avaliações anteriores, o corpo docente das instituições públicas é melhor que o das particulares e as federais também se saem melhor nos projetos pedagógicos. As particulares costumam ser mais fortes nas instalações, porém falham na formação dos professores.

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