MEC anuncia verba a cursinhos comunitários

O Ministério da Educação (MEC) lançou nesta quinta-feira a primeira iniciativa do governo brasileiro para tentar aumentar o ingresso de negros e índios no ensino superior. A maneira escolhida foi a de ajudar financeiramente os chamados cursinhos comunitários, organizações não-governamentais que preparam alunos carentes para o vestibular. Os próprios estudantes receberão ainda cerca de R$ 50 mensais para suas despesas. O programa Diversidade na Universidade deve durar três anos e já conta com US$ 9 milhões, a maior parte vinda do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Mas como ainda depende da aprovação do Senado, que - segundo o ministro Paulo Renato Souza -, deve sair em novembro, o MEC resolveu iniciar um projeto piloto este mês. "Queríamos ver os resultados já no vestibular deste ano", justificou o ministro, a quatro meses do fim da sua gestão. Para isso, foram escolhidas seis ONGs, responsáveis por 820 alunos, que receberão uma verba total de R$ 342 mil. Os acordos foram assinados ontem, em São Paulo. "Pela primeira vez, a política afirmativa sai do discurso e parte para a prática", disse José Vicente, presidente da Sociedade Afro-Brasileira de Desenvolvimento Sociocultural (Afrobras), beneficiária de R$ 100 mil, para atender 250 jovens. A Afrobras tem hoje 350 ex-alunos aprovados em universidades. Segundo Vicente, o dinheiro servirá para comprar materiais e pagar professores. Freqüentemente, os cursos comunitários trabalham com professores voluntários, que preparam suas próprias apostilas ou recebem doações. "Muitos alunos faltam às aulas porque não têm dinheiro para a condução", diz o presidente da Educafro, frei David dos Santos. Mesmo destacando que os R$ 50 ajudarão o aluno, sua rede de 104 cursinhos optou por não participar do projeto. "Lutamos para que o governo crie cursos comunitários nas universidades federais, para atender mais gente." Apenas 2% dos universitários do País são negros. A iniciativa do governo é uma alternativa à política de reserva de vagas para negros e índios nas universidades, defendida por líderes comunitários. "Precisamos primeiro dar condições para todos disputarem uma vaga no ensino superior", diz Paulo Renato. Em novembro, o MEC abrirá inscrições para outras instituições. A intenção é atender 45 mil alunos. Como a verba já existe, o ministro acredita que o projeto será mantido por qualquer que seja o novo governo.

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