Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

‘MDB não tem intenção de indicar cargos no governo’, diz presidente do partido

Deputado Baleia Rossi afirma que, em reunião, Bolsonaro pediu ‘união’ para enfrentar a crise provocada pela pandemia do coronavírus

Felipe Frazão e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2020 | 19h01
Atualizado 22 de abril de 2020 | 21h41

BRASÍLIA – Presidente nacional do MDB e líder do partido na Câmara, o deputado Baleia Rossi (SP) afirmou nesta quarta-feira, dia 22, que o partido não pretende fazer indicações para cargos no governo Jair Bolsonaro. Depois de reunião no Palácio do Planalto, Baleia afirmou que o presidente pediu “união” para enfrentar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

“O MDB não tem intenção de indicar cargo no governo”, disse Rossi. Segundo ele, a proposta de emplacar apadrinhados do partido na administração federal é um tema não que deve circular na bancada. “É momento de deixar divergências políticas de lado. O momento é de união”, disse o deputado. “Todas as declarações do presidente foram no sentido de buscar apoio.”

O MDB é mais um partido procurado por Bolsonaro para conversas, numa tentativa de aproximação direta com caciques das legendas antes rechaçadas pela articulação política.

O presidente já recebeu lideranças do PL, PSD, Republicanos e Progressistas, siglas do Centrão que ganharão cargos na estrutura federal, com o afastamento do DEM, do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ).

Comandado pelo general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, o relacionamento do Planalto com o Congresso passa por uma nova fase, uma tentativa de obter canais diretos com as bancadas partidárias, alternativa ao diálogo com frentes parlamentares que não garantiu a Bolsonaro uma base consistente.

A reformulação do relacionamento com o Congresso Nacional é também uma forma de contornar a centralização das conversas e o peso de articulador de Maia, que dita a pauta de votações na pandemia e voltou a ter atritos com o governo e a ser alvo das bases bolsonaristas em redes sociais.

O tom crítico de Maia e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), em reações seguidas e conjuntas aos pronunciamentos e atitudes de Bolsonaro durante a crise do coronavírus despertou desconfiança no governo, associados a um aumento do protagonismo do Congresso.

Nas últimas semanas, Maia protagonizou embates com o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (MDB-GO), com quem nunca manteve bom relacionamento, entrou em colisão com o ministro da Economia, Paulo Guedes, da Economia, a quem acusou de mentir sobre a gravidade da crise econômica. O caso se agravou a ponto de Bolsonaro acusá-lo de “colocar a faca” em seu pescoço e trabalhar para derrubá-lo.

O MDB já teve um integrante como ministro da Cidadania, o deputado Osmar Terra (RS), além de outros cargos de segundo e terceiro escalão em autarquias. Terra chegou a ser cotado para voltar ao governo como ministro da Saúde, o que não se concretizou. Ele também foi cogitado como líder do governo na Câmara, mas a indicação tampouco se confirmou. Apesar disso, tem sido idolatrado nas redes sociais pelas bases de apoio do presidente, por defender o relaxamento das medidas de isolamento social contra a pandemia do coronavírus.

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