MBL adota tom obstinado nas redes sociais

A postagem traz a imagem de uma lista elaborada por estudantes com gêneros alimentícios necessários para os próximos dias e ilustra a estratégia do grupo para desmoralizar as manifestações

Luísa Martins, Brasília

13 de novembro de 2016 | 06h00

“A revolução não pode ficar sem Nescau, Tang e leite condensado”, diz mensagem, em tom irônico, propalada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) em redes sociais em referência às ocupações de escolas pelo País. A postagem traz a imagem de uma lista elaborada por estudantes com gêneros alimentícios necessários para os próximos dias – também incluía frutas, maionese, batata e temperos como sal, alho e cebola – e ilustra a estratégia do grupo para desmoralizar as manifestações.

O grupo, que tem ideias liberais como a privatização de bancos públicos e defesa do Escola Sem Partido, adota tom obstinado nas redes sociais com expressões como “barbárie”, “palhaçada”, “selvageria” e “lavagem cerebral” para classificar os atos.

“Todas essas manifestações, que chamamos de invasões, estão sendo orquestradas por pessoas de visão ideológica de esquerda. Eles pegam a mente aberta e limpa do jovem e enchem ela de coisas ideológicas do mal. O resultado é que você não solta no mercado de trabalho uma pessoa qualificada, mas um militante político”, diz Bernardo Sampaio, da coordenadoria do MBL no Rio.

A Secretaria Nacional da Juventude (SNJ), vinculada ao Ministério da Justiça, afirma que sua posição é a de “mediar conflitos”. O titular da secretaria, Bruno Júlio (PMDB), segue a máxima de que qualquer manifestação é legítima, desde que não interfira nos direitos dos outros. “Respeitamos os que ocupam e os que buscam desocupar, mas achamos que a educação deve ser preservada, e não impedida por militantes partidários”, diz. “Além disso, o foro específico para discussão de medidas provisórias e PECs é no Congresso”, conclui.

A presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, afirma que a entidade reconhece figuras do MBL entre os manifestantes que defendem o fim das ocupações – pessoas que, segundo ela, agem de forma violenta, impondo força física na tentativa de desocupação. “Em alguns casos, líderes filmam estudantes sem autorização prévia. É um grupo que não consegue dialogar. Não sei até que ponto esse debate seria saudável. Até porque nosso problema não é com eles, mas com o governo federal”, relata. O MBL nega agir com violência.

Os secundaristas protestam contra a reforma do ensino médio, contra a PEC do Teto – que limita os gastos do governo – e contra o Escola Sem Partido, uma das bandeiras do MBL.

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