Mau uso levou à queda da ministra Matilde Ribeiro

Então titular da Igualdade Racial, ela consumiu R$ 175 mil só com aluguel de carros em suas viagens

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

O uso dos cartões corporativos, muitas vezes de forma indiscriminada, por membros da administração pública levou a um escândalo no governo Lula desde que o Estado revelou, em 13 janeiro de 2008, que o uso desse recurso havia crescido muito na atual administração. A então ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, era a campeã dos gastos com cartões.Somente com aluguéis de carros nos seus deslocamentos, ela havia gasto, entre agosto de 2006 e dezembro de 2007, R$ 175 mil, em uma média mensal de R$ 14,3 mil, superior até ao seu próprio salário, de R$ 10,7 mil. Pressionada, ela acabou pedindo demissão.Os ministro da Pesca, Altemir Gregolin e dos Esportes, Orlando Silva, também aparecia com gastos no cartão, mas em níveis mais baixos que os da colega. Silva chegou a comprar uma tapioca com o cartão.No governo como um todo, o Portal da Transparência, mantido na internet pela Controladoria-Geral da União (CGU) demonstrou que, em 2007, o governo gastou R$ 75,6 milhões com cartões, 129% a mais que em 2006. Comparada a 2004, a despesa havia sido 4,3 vezes maior. CPIPor conta do escândalo, o Congresso chegou a abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os gastos com cartões, mas a investigação acabou enterrada pelo governo. O relator, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ). conseguiu aprovar, por 14 votos a sete, um relatório, muito criticado pela oposição, que não propunha nenhum indiciamento pelo uso inadequado dos cartões e nem citava um relatório, que teria sido preparado pela Casa Civil, no qual eram esmiuçados os gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) em sua passagem pela Presidência.Em fevereiro do ano passado, o governo editou um pacote que pretendia limitar a farra com cartões da administração federal. Entre as inovações, foi anunciado o fim do teto para saques em dinheiro e a proibição de aluguel de carros. Os saques em espécie ficaram restritos a 30% do limite de crédito de cada cartão e só poderiam ser efetuados com autorização prévia.Mesmo assim, os gastos voltaram a crescer neste ano. De janeiro a março de 2009, funcionários do governo retiraram em dinheiro uma média de R$ 48 mil ao dia, ante R$ 22, 6 mil em 2006. O governo, então, restabeleceu as diárias para ministros em viagens - que haviam sido substituídas pelos cartões - com valores entre R$ 456 a R$ 581, dependendo da distância da cidade.

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