Material de campanha de Dilma domina residências em Ouro Branco

Reportagem avistou 60 residências com adesivos da petista e apenas duas com os de Aécio Neves (PSDB)

Rodrigo Burgarelli, enviado especial a Ouro Branco

04 de novembro de 2014 | 08h09

Na cidade mais governista do Estado mais governista do Brasil, ser oposição é difícil. Em dois dias percorrendo toda a área urbana de Ouro Branco, no sertão de Alagoas, a reportagem avistou mais de 60 casas com adesivos de Dilma Rousseff (PT) coladas na entrada, perto da porta ou da parede. Do principal candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB), só duas - e ambas ostentavam a propaganda do lado de dentro de uma grade para que nenhum pedestre o arrancasse.

"Aqui é difícil. Arrancam mesmo. O petismo aqui está muito forte, o eleitor do Aécio tem que se esconder", suspira o empresário João Batista de Lima Filho, de 30 anos. Com dois adesivos do Aécio na entrada da casa e um no seu celular, ele se auto-classifica de "anti-PT". Segundo o empresário, não houve sequer um comitê do Aécio na cidade em que ele pudesse pegar os adesivos - foi um amigo de Pernambuco, apoiador de Marina Silva (PSB), que conseguiu as peças de campanha do PSDB.

Dono de uma loja de peças de carro no centro da cidade, João Batista admite que a vida na sua cidade melhorou na última década, mas diz querer mudança do modo de governar dos últimos presidentes.   "Não concordo com as atitudes de uma pessoa como o Lula. Todo projeto começa com um preço e termina com outro. E pagamos muitos impostos, muitos juros. Sobra pouco da renda final para gastar", reclama.

Em 2014, Dilma teve acachapantes 75% dos votos na cidade no primeiro turno, ante 10% de Aécio.  Mesmo assim, o tucano recebeu o apoio de cerca de 800 eleitores no município. Remando contra a maré em plena terra do governismo, alguns deles relatam perseguição e ameaça por causa da escolha política.

"A gente deveria poder apoiar quem a gente quiser. Sofri muita indireta, muita crítica no trabalho por causa do meu voto", conta a agente administrativa Lucileide Soares, de 43 anos.  Ela enxerga uma divisão clara entre o eleitor petista e o tucano na sua cidade. "O pessoal mais simples é que vota na Dilma, agricultores. Mas quem se informa mais, lê mais, vota no Aécio", opina. 

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