André Dusek/AE
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'Mataram nosso irmão, mas não as ideias dele', dizem índios

Família responsabiliza polícia por morte de Oziel Gabriel em fazenda no MS e diz estar pronta para responder novas ameaças; nessa quinta, grupo discutiu situação com ministros

João Bosco Lacerda e Lucas Vidigal - especial para o Estado

07 Junho 2013 | 09h35

Deones e Elisur são irmãos de Oziel Gabriel, índio da tribo terena morto em confronto com policiais que cumpriam ordem de desocupação da Fazenda Buriti em Sidrolândia (MS), na semana passada. Eles acusam a truculência dos policiais de causarem a morte do irmão, baleado no tórax. "Chegaram atirando na gente com armas letais", afirma Deones. Revoltados, os índios incendiaram a sede da fazenda. "Foi a resposta que tivemos, a forma de expressar nossa raiva", desabafa Elisur. Ambos chegaram a Brasília na manhã dessa quinta-feira, 6, para negociar com o governo.

 

De acordo com os indígenas, a situação na Fazenda Buriti é de extrema tensão. Novos conflitos podem surgir a qualquer momento, o que deixa a comunidade aflita. Deones afirma que tem visto agricultores da fazenda com armas de fogo ao redor da aldeia. "Nossas famílias estão com medo, mas os guerreiros não podem temer. Se não lutarmos, quem vai lutar por nós?"

 

A tribo tem poucas esperanças de avançar nas negociações com o governo. Lindomar Terena, coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), acusa a presidente Dilma Rousseff de favorecer os ruralistas. "Foram cinco encontros dela com fazendeiros e apenas um com os índios. Dá para ver qual lado ela escolheu", comenta.

 

A morte de Oziel acabou com as relações entre índios e fazendeiros, antes cordiais. Também aumentou a disposição dos terenas em reivindicar os 17 mil hectares da reserva Buriti. "Agora, independente da decisão da justiça, lutaremos por nossas terras", afirma Deones. O irmão Elisur completa: "Um guerreiro morreu, mas a luta continua".

 

Após as três horas e meia de reunião com os índios nessa quinta, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou a criação de um fórum para discutir a questão. Cardozo afirmou haver "possibilidade de acordo" e que o governo assumiu o compromisso de fazer "apuração rigorosa e imparcial" da morte de Oziel.

 

 

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