''''Mas é a mesma pessoa'''', reage sub-relator da CPI

Surpreso com prisão de Wascheck, Fruet lembra que Correios foram avisados de sobrepreço nas licitações

Claudio Augusto e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), sub-relator de Movimentação Financeira na CPI dos Correios, reagiu em tom de surpresa ao ser informado pela reportagem do Estado que um dos personagens investigados pelo Congresso em 2005 está entre os presos da Operação Selo. "Mas é a mesma pessoa", disse, referindo-se a Arthur Wascheck Neto.De acordo com o parlamentar tucano, os Correios receberam as recomendações da CPI para que o sobrepreço nas concorrências da estatal fosse combatido. "Eles sabiam a forma de procedimento de quem fraudava", asseverou Fruet.Ainda segundo o deputado, a legislação impõe às autoridades que recebem o relatório da CPI que tomem providências num prazo de 30 dias. "E de 6 em 6 meses tem de informar o que estão fazendo", disse Fruet. Para ele, nada foi feito. "Dizem que a história não se repete. Quando se repete é como farsa."MOROSIDADEDos 25 projetos de lei propostos pela sub-relatoria de Normas de Combate à Corrupção da CPI dos Correios, apenas um foi aprovado até hoje - um ano e quatro meses depois de concluído o relatório final da investigação. Os demais seguem tramitando a passos lentos na Câmara e no Senado. Entre as propostas para coibir a corrupção nos Correios e nos demais órgãos do governo federal estão a ampliação do uso dos pregões eletrônicos para a compra de qualquer tipo de bens e serviços e mudanças na Lei de Licitações. "São propostas a fim de limitar ainda mais eventuais brechas da legislação", diz o relatório, entregue em 29 de março de 2006, depois de dez meses de investigação. "Está tudo proposto e nada aprovado. São projetos que, se votados, muitas portas estariam fechadas para a corrupção hoje", destacou o deputado Onyx Lorenzoni (RS), líder do DEM na Câmara e, na ocasião da CPI, relator da sub-relatoria de Combate à Corrupção da comissão.Onyx disse não estar surpreso com a nova operação da Polícia Federal nos Correios e a constatação de que o esquema de fraude em licitações na estatal continua. "Não me surpreendo, porque no ano passado o governo federal loteou novamente os Correios. Desta vez para o PMDB", acusou o deputado.PREGÃOA assessoria de imprensa dos Correios informou que, mesmo sem a aprovação dos projetos, tomou providências para enfrentar a corrupção. Segundo a estatal, foi ampliado o uso dos pregões eletrônicos, que hoje corresponde a 95% das compras da empresa. Em 2005, quando a CPI foi instalada, o índice era em torno de 70%. Os Correios também dizem que deram mais transparência às licitações, colocando todas elas no site da empresa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.